Milosevic: um certo ponto de vista

Danilo José Figueiredo
danilo@klepsidra.net
Quarto Ano - História/USP
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Introdução:

Alguns problemas de ordem técnica deixaram Klepsidra fora do ar por um mês, além de atrasarem nossos trabalhos em cinco meses. Durante todo este tempo, muita coisa aconteceu no mundo, nossa reportagem de capa escolhida para esta edição seria a respeito da guerra contra o Terror, ou seja, a História do Tempo Presente. No entanto, desde o fatídico 11 de setembro, muitos outros eventos dignos desta sessão em Klepsidra vêm se desenrolando.

Poderíamos ter escrito sobre os atentados políticos ocorridos no Brasil contra prefeitos do Partido dos Trabalhadores (PT), poderíamos falar sobre a terrível crise político-econômica da Argentina, e sobre diversos outros assuntos, mas optamos por, aliás, eu optei, uma vez que fui eu quem me propus a escrever este texto em nossa última reunião do conselho editorial, a escrever sobre o julgamento de Slobodan Milosevic, o ex-presidente, ou ditador, como querem os EUA, da Iugoslávia.
 

1 – Algo sobre a Iugoslávia:

A Iugoslávia é um país muito jovem, se formou apenas em 1918, depois da Primeira Guerra Mundial, apesar de ocupar um território historicamente muito antigo, por onde, no passado andaram homens como Alexandre, o Grande, Pompeu, Átila e Justiniano.

Todos sabemos que o estopim da Primeira Guerra foi o assassinado do Arquiduque Austro-Húngaro Francisco Ferdinando, que aconteceu em uma de suas visitas à Sérvia, região que hoje é o coração da Iugoslávia e que, na época, constituía uma província daquele Império.

Pois bem, depois do fim da Primeira Guerra, a região conseguiu sua independência e, numa reunião entre os principais líderes da Sérvia, da Croácia e da Eslovênia, formaram uma Monarquia Parlamentarista, com o governo do Rei Pedro I, da dinastia Karagjorgjevic.

Rapidamente, ainda em 1919, a monarquia (que ainda não se intitulava Iugoslávia) adotou práticas Comunistas, como a estatização de propriedades e a reforma agrária. Para se manter como país, o novo reino teve de realizar diversos acordos que lhe garantissem apoio em sua guerra contra a Albânia pela delimitação das fronteiras. Os principais acordos firmados no início da Monarquia foram com Áustria, Hungria e Itália.

Entre novembro de 1920 e junho de 1921, a primeira constituição é promulgada, ela define o país como uma Monarquia Parlamentarista e elege um Parlamento. Porém, a morte de Pedro I e sua sucessão por seu filho, Alexandre I, colocam o país num turbilhão de crises políticas que duraria de 1921 até 1929. Nesse período, as minorias populacionais conseguem grande autonomia em suas regiões, as práticas Comunistas são abandonadas e a quebra definitiva do Estado se torna iminente.

Em 1929, no entanto, o Rei Alexandre I inicia um golpe e, mais tarde, em 1931, com a ajuda do exército, depõe o Parlamento e inicia diversas transformações administrativas. Na prática, torna-se um Rei com características absolutistas modernas. Entre suas medidas está o batismo do Reino com o nome de Iugoslávia.

Apesar de por uma maneira ditatorial, o país começa a esboçar força novamente no cenário do leste Europeu. Porém, em 1934 Alexandre I é assassinado e, em seu lugar, assume seu filho, Pedro II, que não tem idade legal para governar, sendo assim, seu tio, o Príncipe Paulo torna-se o regente da coroa, que volta ao Parlamentarismo.

Entre 1935 e 1939, o Primeiro Ministro é Stojadinovic, um homem de tendências Fascistas, ele arquiteta a aproximação da Iugoslávia com o Eixo através de tratados com Itália, Bulgária e Alemanha.

A participação da Iugoslávia na Segunda Guerra ao lado dos Nazistas era questionada pelos próprios Iugoslavos que, aproveitando um momento de fraqueza do Primeiro Ministro, ajudaram o Rei, em 1941, a dar um golpe e tomar o poder. Este, mais do que depressa assinou um tratado com Stalin para que este o protegesse de Hitler. No entanto, os Alemães abriram guerra aos Soviéticos e, depois da invasão à Iugoslávia, no mesmo ano de 1941, ainda em 18 de abril, o Rei foi obrigado a fugir do país e os Alemães dominaram-no.

Enquanto Pedro II permanece exilado em Londres, em seu país surgem dois novos heróis nacionais: Mihajlovic e Tito. Cada um comanda uma espécie de exército popular de resistência aos Nazistas. Em 1943, estes exércitos tornam-se, através do recém criado Comitê Nacional, os soberanos do país, porém, ele permanece ocupado pelos Alemães.

A aliança com a URSS é clara, tanto que, em 1944, o exército vermelho auxilia o Comitê Nacional a tomar Belgrado e, em 1945, as últimas resistências Nazistas no país têm que capitular.

Depois do término da Guerra, Pedro II tenta voltar e reassumir o trono que abandonara, porém, o Comitê Nacional não o aceita e propõe uma eleição que decidirá qual o novo governante do país. A vitória do Comitê Nacional sobre o Rei é esmagadora e a República é proclamada.

Depois de proclamada a República, os antigos aliados dentro do Comitê Nacional começam suas disputas, mas Tito, por ser de tendência Comunista e, por isso, contar com o apoio Soviético, acaba levando a melhor e Mihajilovic e seus correligionários são exterminados.

Tito, agora como herói de guerra e ostentando o título de Marechal Tito, passa a ser o governante da República que une sob uma só bandeira Eslovênia, Croácia, Bósnia Herzegovina, Sérvia, Macedônia, Montenegro, Kossovo e Voivodina. Nações com costumes e etnias diferentes unidas num mesmo Estado graças à figura de um herói comum.

Belgrado, na Sérvia, constitui a capital do país que apesar de ter ser firmado realmente sob a égide da URSS, conseguiu entre 1948 e 1955, manter-se à margem dela, procurando outro sistema de governo, outros parceiros.

Em 1955, no entanto, depois de aventurar-se em tentativas de aliança com Turquia e Itália e de fracassar no estabelecimento de um governo Social-Democrata, a Iugoslávia se reaproxima da URSS e, em 1963, assume o Comunismo como seu sistema econômico e passa a integrar a chamada Cortina de Ferro do leste Europeu.
 

2 – A ascensão de Milosevic:

Na década de 70, o Socialismo Iugoslavo começou a demonstrar seus primeiros sinais de fraqueza. Tais sinais acirram os ânimos das diversas minorias constituintes do Estado Iugoslavo e as tendências separatistas do princípio do século XX vieram à tona. No entanto, a experiência do velho Marechal foi suficiente para conter os ânimos.

Tudo, porém, indicava que após a morte de Tito nada manteria a Iugoslávia unida. Após a morte do grande herói de guerra, o Comunismo foi mantido como tentativa de dar continuidade à sua obra. Essa estratégia, contudo, foi impossibilitada pela crise do sistema Socialista Soviético desencadeada na década de 80.

Depois da queda do muro de Berlim, em 1989, ficou evidente que a URSS perdera a Guerra Fria e que, mais cedo ou mais tarde, se desmantelaria, como ocorreu definitivamente em 1991.

À queda do muro de Berlim se seguiu a abolição do regime Comunista em diversos países da antiga Cortina de Ferro e a extinção do Pacto de Varsóvia. A exemplo do restante do leste Europeu, a Iugoslávia também aboliu o Comunismo e, nesse contexto, assumiu o poder Slobodan Milosevic.

O processo de fragmentação do Estado Iugoslavo era iminente e Milosevic, no início da década de 90, optou pela guerra como tentativa de detê-lo.

Croácia, Bósnia Herzegovina e Macedônia puxaram a fila separatista, Eslovênia se juntou a elas e a guerra foi cruel.
 

3 – O Carniceiro dos Bálcãs:

As táticas de guerra utilizadas pelos exércitos de Milosevic entre 1991 e 1994 chocaram o mundo, por lembrarem em alguns pontos as táticas Nazistas e, em outros, as dos honrados cavaleiros cruzados medievais.

O Nazismo era lembrado pela criação de campos de concentração, para onde eram levados prisioneiros civis das regiões separatistas. Outra faceta Nazista era claramente evidente no que diz respeito ao caráter étnico da guerra. Porém, a tática que mais chocou a opinião pública mundial foi a da faxina étnica, a mesma utilizada pelos cruzados medievais no Oriente Médio, ou seja, o estupro em massa das mulheres de etnias diferentes para que seus filhos tenham o sangue dos dominadores.

Além de tais atrocidades, que renderam ao presidente Iugoslavo a alcunha de Carniceiro dos Bálcãs, mais de 300 mil pessoas foram mortas por sua máquina de guerra.

Tudo isso em nome da soberania da Iugoslávia.
 

4 – Desenrolar das guerras e a crise no Kossovo:

Depois das guerras na Croácia e na Bósnia, no início da década de 90, a Iugoslávia só fez receber sanções internacionais, além de perder mais da metade de seu território, pois além das duas províncias, Macedônia e Eslovênia também conseguiram suas independência no embalo.

Restavam à Iugoslávia a Sérvia, Montenegro, Kossovo e Voivodina. Porém, em 1999, Kossovo, uma província cuja maioria da população é de origem Albanesa, decidiu separar-se também do domínio da Sérvia. Outra vez Milosevic interveio com suas táticas de guerra monstruosas. Porém, dessa vez, encontrou pela frente a oposição da OTAN, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, bloco militar que surgiu durante a Guerra Fria para opor-se ao poderio Soviético e que, devido à sua força se equilibrar à de seu rival, o Pacto de Varsóvia, gerou a Guerra Fria em si.
 

5 – Situação Militar Mundial durante a guerra do Kossovo:

Em 1991, os EUA, com medo de uma crise mundial do Petróleo e do fortalecimento demasiado de um país Muçulmano, influenciou a ONU (Organização das Nações Unidas), órgão sobre o qual tinha poderes quase absolutos naquele contexto de fim da URSS a enviar suas tropas ao Iraque e destruir o poderio de Saddam Hussein.

Na época, a opinião pública mundial foi manipulada de forma a acreditar que a ação militar evidentemente motivada por fins econômicos estava sendo realizada com o intuito de proteger um frágil país sem forças armadas chamado Kuweit (país esse que, curiosamente é o maior produtor de Petróleo do mundo, fecha uma possível saída marítima da Iraque e, curiosamente, é aliado e, por conseguinte, parceiro comercial dos EUA).

A Guerra do Golfo, realizada em 1991, durou apenas um mês e fez com que Saddam Hussein batesse em retirada. Era a primeira vez, desde o vexame do Vietnã em que os EUA comandavam uma ação militar daquele porte em prol da "defesa" de outro país.

Desde então, devido ao pretexto de utilizar armamento químico e bacteriológico, o Iraque vem sofrendo sanções financeiras mundiais, além de ser submetido a fiscalizações que o impeçam de desenvolver armas nucleares (grande medo Americano, visto que o Iraque tem uma das maiores reservas de Urânio (matéria prima das armas nucleares) do mundo). É claro, outros países não devem ter acesso a armas nucleares, especialmente países inimigos dos EUA e que, devido ao seu potencial natural podem vir a ter mais armas desse tipo do que os próprios EUA. Afinal, se não for o campeão das bombas atômicas, os EUA não terá como pressionar o mundo a ceder à sua vontade.

Pois bem, alguns anos se passaram ao fim da URSS e a nova ordem mundial se estabeleceu. Hoje, desde cerca de 1996, o mundo vive uma situação de multipolarização de potências. Há diversos países poderosos, tanto financeira quanto militarmente, e esses, os componentes do chamado G-8, têm boa parte do poder mundial, apesar de ainda estarem atrás dos EUA.

Em 1998, na ONU, ocorria uma forte discussão para rever o conselho de segurança da entidade (órgão responsável pelo poder militar da ONU e que até então, desde 1991, era praticamente uma extensão do governo Norte-Americano). Temendo perder a hegemonia sobre a entidade, os EUA tentou inventar uma nova guerra contra um velho inimigo, Saddam Hussein.

Tentou mobilizar a ONU. Não conseguiu. Enviou tropas por conta própria aos desertos mesopotâmicos e iniciou as operações "Raposa no Deserto" e "Tempestade no Deserto". Porém, como sofreu pressões e até ameaças de países poderosos como França e Rússia, achou prudente retroceder.

A situação para o imperialismo Americano no mundo era crítica, além de ter perdido o controle militar sobre a ONU, seu presidente (na época Bill Clinton) passava por um dos maiores escândalos políticos da história Americana desde a renúncia de Richard Nixon: a acusação de assédio sexual por duas mulheres.

Qual foi, então, a saída encontrada por Clinton para recuperar o poderio político – dessa forma, equiparando-o ao econômico, que estava em sua melhor época – além de afastar de si os escândalos pessoais?

Claro, a fraca Iugoslávia, um país dos Bálcãs, o segundo maior "Barril de Pólvora" do mundo, perdendo apenas para o Oriente Médio, estava tentando novamente manter sua soberania através das táticas nada ortodoxas outrora condenadas pela opinião pública mundial.

O Tio Sam que, no começo da década de 90, ajudou a ONU a enviar ajuda humanitária e remédios à região, mas que, como ela, fez-se de indiferente quanto a participação militar; dessa vez, em 1999, achou por bem tomar uma posição mais efetiva. Viu na insignificante guerra num ponto não importante uma forma de "matar dois coelhos como uma cajadada só", afastar a iminência de uma crise interna e mostrar superioridade à ONU, com a qual estava ressentido.

Clinton ordenou a reunião da OTAN, que vinha, até então, desde a extinção do Pacto de Varsóvia, sendo apenas uma peça figurativa, mantida pelos EUA como uma espécie de coringa a ser usado numa eventualidade.

Não podendo recusar o pedido de ajuda, feito sob a alegação de proteção a civis inocentes, a OTAN aceitou respaldar a ação dos EUA e os bombardeios de mísseis (tão imprecisos que um chegou a acertar a Bulgária, país vizinho da Iugoslávia), em especial mísseis de grafite (específicos para cortar as redes elétricas (quaisquer, até as de emergência), acarretando todo o tipo de problemas, como por exemplo, o não funcionamento de hospitais) começou.

Dentro de pouco tempo, não havia mais pedra sobre pedra na Sérvia e a população que uma vez apoiou seu governante, viu-se forçada por aqueles que lhes alvejavam com mísseis a pôr-se contra ele, depô-lo, entrega-lo ao tribunal da ONU.
 

6 – Verdade e Justiça:
 
 


Milosevic durante o julgamento em Haia
Slobodan Milosevic é, com certeza, um monstro do gabarito de um Hitler, apenas com um currículo menos recheado de atrocidades. No entanto, assim como o outro, não é o único. A História, ao longo dos séculos, está cheia de justificativas para o certo e o errado, o que é certo para uns, se praticado por outros é errado. Desde a Bíblia, onde há um povo escolhido e, por tanto, melhor do que os outros, até os dias de hoje, as injustiças daqueles que escrevem a História são vistas como justiças, pois combatem as supostas injustiças daqueles que, dentro da História não têm o papel de personagens, mas de objetos.

O que quero dizer é que os que têm voz dentro da História a fazem, os que não têm, são feitos por ela.

Por exemplo: Hitler perdeu a Segunda Guerra e foi considerado traidor, monstro e coisas assim. Porém, Franklin Delano Roosevelt, o presidente dos EUA na época, venceu-a e, nem sequer por lançar duas bombas atômicas sobre populações civis Japonesas foi considerado da mesma forma. Isso por quê? Porque os EUA são soberanos e como tais, têm o direito de punir. Para os outros, como os Iraquianos que depois de derrotados na Guerra do Golfo começaram a arquitetar uma reação, inclusive com uma tentativa de assassinato frustrada de George Bush (o pai), as reações são vistas como vinganças e, como tais, desprezíveis. Para os EUA, as reações são vistas como lições, como se o governo Americano fosse composto de Mestres e os outros de Aprendizes.

Vejamos a seguinte situação:

Um criminoso, advogado formado, resolve que não irá querer um advogado em seu julgamento, que irá se auto-representar por não confiar em ninguém. Um direito dele. Pois bem, uma vez se auto-representando, ele tem direito a voz, mas, ao falar, fala coisas que desagradam o juiz e, acima de tudo, aqueles que o querem condenado. Contesta a legitimidade do tribunal, e mesmo de suas acusações. Diz ter provas, mas, ao invés de poder continuar falando, ou seja, exercendo seu direito de defesa, tem seu microfone cortado para ninguém dentro do fórum o ouça e, na sessão seguinte é obrigado a aceitar dois advogados que lhe foram designados à revelia, mesmo ele continuando a dizer que quer se auto-representar.

Não preciso dizer que tal cena seria uma violação total de qualquer direito civil, de qualquer liberdade pregada por qualquer país ocidental supostamente livre. Seria não só uma violação do direito de defesa, como também do direito de livre-expressão, visto que num julgamento, o réu só tem permissão para falar quando está testemunhando, sendo que nos demais momentos as falas ficam restritas ao advogado, ao promotor e ao juiz.

Pois bem, tal cena aconteceu e não foi no governo de Milosevic, nem no de Saddan Hussein, nem no de Adolf Hitler. Aconteceu a algumas semanas na Holanda, mais precisamente na cidade de Haia, num tribunal da ONU onde está sendo julgado Slobodan Milosevic. Mas o mais lamentável não é que isto tenha ocorrido e sim que os meios de comunicação, manipulados como são às vontades dos poderosos, tenham relatado que a decisão do juiz da ONU foi acertada visto que o "ditador" Iugoslavo estava falando absurdos.

Milosevic, assim como qualquer governante opositor à ordem Americana, é intitulado Ditador, assim, como na Antigüidade, os povos opositores dos Romanos eram ditos Bárbaros.

Milosevic merece a pena máxima que possa pegar, mas será que George W. Bush será condenado por bombardear hospitais e escolas no Afeganistão à procura de supostas bases militares escondidas, tudo isso por medo de enviar seus soldados por terra e, perdendo Americanos, cair na cotação da opinião pública? Acredito que não preciso responder.

Bem, não espero que acredite no que leu, espero apenas que reflita sobre isso, sobre o justo e o injusto, sobre o bem e o mal e que depois de ter lido, vá ler a Folha, o Estado, a Veja, a Época... vá assistir à Globo e então, só depois de fazer isso entenda que eles são os meios de comunicação dos vencedores, os que servem para justificar e escrever suas histórias e que fazem isso porque vencem junto com eles, continuam por cima e nós, simples pessoas cujas existências sequer serão lembradas daqui a duzentos anos, aceitamos sua História porque precisamos de uma verdade e preferimos não pensar que a verdade em si não é nada além de um certo ponto de vista.