A Religião e a Abstração

Danilo José Figueiredo
danilo@klepsidra.net
Quarto Ano - História/USP
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Introdução:

Há dois anos, no dia 22 de abril de 2000, dia do aniversário de 500 anos do descobrimento de nosso país, surgia Klepsidra. Era um projeto revolucionário, organizado apenas por estudantes da graduação do curso de História da USP (na época, todos no 3º semestre).

Dois anos se passaram, muitos textos foram publicados, membros vieram e foram, mas Klepsidra continuou forte e, acima de tudo, unida. Tenho orgulho de ter estado presente em sua fundação, em sua evolução, em seus bons e maus momentos. Tenho orgulho de ter recepcionado novos membros e de, até hoje permanecer em sua equipe.

Anualmente, justamente em seu aniversário, Klepsidra tem uma edição temática. Esta é a segunda. A edição de um ano teve como tema a historiografia e a meta-história, já para esta edição, o tema selecionado foi menos polêmico, de certo, porém não menos rico: a Violência.

Dentro do contexto de violência, seria possível aos membros escrever sobre qualquer assunto, qualquer mesmo e, dessa forma, escolhi as religiões e o pensamento que as envolve e envolveu durante as eras. Sei que, a exemplo de meu texto na edição de primeiro aniversário "Erudição: a chave da Dominação", este também será muito criticado. Uns dirão que sou preconceituoso, outros, que sou cético, outros ainda, que não tenho embasamento para escrever o que se segue. Talvez estejam certos, pois como referi em meu texto "Milosevic: um certo ponto de vista", a verdade nada mais é do que um certo ponto de vista. Porém, sinto-me no dever de esclarecer três pontos referentes a este texto:

1º) Em nenhum momento neste, ou em qualquer outro texto meu, critico ou criticarei a fé das pessoas em deus, deuses ou entidades sobrenaturais quaisquer. O intuito deste texto é, tão somente, analisar de um ponto de vista mais racional a profundidade de pensamento que cada uma das religiões (ou ainda melhor, doutrinas) exprimem ou exprimiram ao longo do tempo.

2º) A fim de esclarecer possíveis dúvidas e de evitar críticas desnecessárias, devo reiterar que este, bem como todos os demais textos que escrevi em Klepsidra, é apenas uma obra introdutória, nada muito aprofundado, visto que não sou nenhum especialista em religiões ou em qualquer tema que seja, uma vez que ainda estou apenas no sétimo semestre da graduação de História.

3º) Assim como na edição de aniversário passada, nesta, alguns dos textos publicados, como este, por exemplo, não são totalmente fundamentados em bibliografia. O maior defensor dessa idéia dentro da revista sou eu próprio, já que acredito que a necessidade de se fundamentar cada afirmação numa bibliografia pertinente cerceia toda e qualquer tentativa de criação de algo novo, fazendo com que a mente humana resuma-se a apenas copiar ou "reproduzir com outra cara" aquilo que no passado foi criado por algum gênio.

Não me proponho neste texto a dar respostas, mas a lançar perguntas, pois como diz o Professor Dr. István Jancsó: "Uma questão bem elaborada pode abordar melhor um tema do que uma resposta direta".
 
 
1 – O nascimento dos deuses:

Todos sabemos que as religiões de fato existem, mas poucos são os que realmente podem dizer como elas surgiram. É certo que o culto a divindades e forças ocultas é quase tão antigo quanto o processo de sedentarização humano, sendo assim, não existem registros de seu início. É certo também que diferentes cultos surgiram em diferentes regiões do mundo, visto que a Pré-História ocorreu de maneiras diferentes e com durações diferentes nas várias regiões do planeta.

No entanto, pode-se dizer através de estudos antropológicos já realizados, que, em geral as primeiras "religiões" surgiram do culto a fenômenos inexplicáveis da natureza. Vejamos como isso deve ter ocorrido na maioria das regiões.

Representação de Cristo como
portador de santidade e sabedoria

Com a descoberta da agricultura, a chamada Revolução do Neolítico, as sociedades humanas foram se sedentarizando em regiões propícias à agricultura, ou seja, nas proximidades de rios e lagos. Esses pequenos grupos (cerca de 50 ou 100 pessoas, no máximo), deram origem às primeiras vilas. Nelas a caça continuava a ser importante e, provavelmente um trabalho masculino, porém a agricultura era a principal tarefa, esta, por sua vez, essencialmente feminina, visto que enquanto arava a terra, a mulher podia observar seus filhos.

Por esta época, não havia uma forma institucionalizada de governo, visto que a divisão de trabalho era justa e só teria direito a mantimentos aquele que fizesse por merecer.

Devido ao fato de nem todas as sociedades terem descoberto a agricultura simultaneamente; muitos grupos permaneciam nômades, sendo assim, representavam um perigo para as vilas desprotegidas. Esse perigo gerou a necessidade do surgimento de uma nova forma "profissão": o guerreiro. Os guerreiros não deviam nunca se ausentar da vila, nem para caçar, nem para trabalhar no que quer que fosse, deveriam revezar-se em turnos de vigília para que a vila nunca ficasse à mercê de bandos nômades saqueadores.

Sem trabalharem em nenhum ofício que lhes permitisse conseguir comida, os guerreiros estariam fadados à morte, por isso, as vilas criaram uma espécie de pagamento a eles, ou seja, se mantivessem a guarda, receberiam comida como se tivessem trabalhado por ela. Na prática, as outras pessoas trabalhariam enquanto eles cuidariam da segurança delas.

Não foi preciso muito tempo para que os guerreiros percebessem o poder que tinham nas mãos. Aos poucos começaram a monopolizar o ofício, ensinando-o apenas a seus descendentes, até criarem uma espécie de casta guerreira, especializada no uso das armas rudimentares (provavelmente lanças de madeira, machados de pedra e arcos e flechas, além de clavas e outros tipos de armas primitivas). Tendo o monopólio não só do uso das armas, mas também das técnicas de combate, os guerreiros logo impuseram seu domínio à população da vila que defendiam, sendo assim, chegava ao poder uma espécie de oligarquia de armas.

Para conciliar os diferentes interesses dos guerreiros e, ao mesmo tempo fazer com que estes continuassem a subjugar a população e defender a vila, essa oligarquia chegou à conclusão de que precisava de um líder. Este seria provavelmente ou o guerreiro mais experiente (e por isso mais velho), ou o melhor. Surgiam os primeiros Reis da civilização.

Depois que a Monarquia surgiu, a sociedade primitiva começou a se desintegrar. Não havia mais a noção de cooperação mútua entre as pessoas. Pelo contrário, havia um pequeno grupo que, pela força, controlava, oprimia e explorava a massa da população. A vida deixou de se tornar simples e passou a ser um pesado fardo.

É óbvio que por essa época, as pessoas já se questionavam a respeito dos fenômenos da natureza. Por que chovia? Por que ventava? Por que existiam o dia e a noite? Por quê? Por quê? Por quê? Essas perguntas levaram certas pessoas, possivelmente aquelas mais velhas que, por não poderem mais trabalhar, tinham mais tempo ocioso para buscar explicações; e a mais simples de todas respostas a uma pergunta é criar um ser que seja responsável por aquilo, em outras palavras, chovia porque o deus da chuva ordenava, ventava porque o deus do vento se zangava, o dia e a noite eram uma eterna luta entre os deuses do sol e da lua, e assim por diante.

Inicialmente, tais explicações serviam apenas para preencher a curiosidade humana e também para regularem a agricultura, contudo, com o aumento do número de vilas (cada qual constituindo um pequeno reino), surge um novo fenômeno: a guerra. Fenômeno este que mudaria o conceito dos primeiros deuses e auxiliaria na criação de novos conceitos filosóficos, como a salvação.

Com as guerras, certos reinos venciam enquanto outros perdiam, sendo assim, alguns foram se expandindo e fortalecendo, enquanto outros foram sendo engolidos ou destruídos. Mas como explicar a vitória de uns sobre outros? Simples, vontade dos deuses. Surge assim a justificação divina dos Reis e as Monarquias Militares primitivas tornam-se Teocracias (governos de direitos divinos). É óbvio que por passarem a justificar os feitos de seus governantes, os sacerdotes (aqueles velhos que criaram a idéia de divindades) caíram em suas graças. Dessa forma, passaram a ocupar um lugar de respeito na nova sociedade que estava se formando. A sociedade Imperial.

Sim, Imperial, visto que um Império é constituído por uma região onde um Rei reina sobre diversos Reinos e até sobre Reis derrotados (quando estes não são mortos e substituídos por homens de confiança). Passam a se configurar os primeiros Impérios da Antiguidade, mas com eles, vem um problema: como administrar os recursos angariados das regiões conquistadas (os tributos)?

Tal missão é delegada aos sacerdotes, justamente por estes terem tempo ocioso. Eles recebem verbas e apoio considerável do Monarca para que resolvam a situação e, dessa forma, baseando-se em costumes antigos (desde muito cedo, o ser humano se acostumou a registrar com pictogramas (desenhos rupestres) os acontecimentos mais importantes de sua rotina diária), criam a escrita e, à partir dela, os primórdios da matemática.

A criação da escrita e da matemática possibilitou a melhor administração dos estoques Imperiais, bem como o pagamento dos tributos em forma de trabalhos (característicos do modo de produção asiático, onde anualmente, um grupo de pessoas era recrutado para trabalhar para o governo realizando obras públicas, tais como palácios, templos, aquedutos e outros; tais obras visavam não só evoluir o Império, como também, mantendo a população contente, evitar revoltas).

A partir da matemática começou a se desenvolver uma outra ciência que, em seus primórdios serviu para justificar divindades: a astronomia (que em seus primórdios se confundia com a astrologia (deve-se saber que a astronomia hoje é uma ciência séria que consiste na observação e anotação dos astros para fins de conhecimento e mapeamento do universo, enquanto que a astrologia é uma crença que visa encontrar influências dos astros na vida das pessoas)). A astronomia (ou astrologia) servia para, reconhecer nos corpos celestes as personificações das divindades. Isso se tornava mais evidente quando à medida que se podia notar a influência do sol nas estações do ano (e, por conseguinte, no clima e na agricultura) e da lua nas marés (e, portanto, na navegação e na pesca).

A existência dos deuses era uma certeza na vida de todos. Certeza tão grande quanto a sua presença em seu cotidiano. Porém, a vida continuava a ser um sofrimento e as guerras constantes do período de formação dos Impérios matavam muitas pessoas (direta e indiretamente, através da fome causada pelos saques e das doenças causadas pela fome). Sendo assim, não havia com o que consolar a população que muitas vezes acabava se revoltando. No entanto, nesse mesmo período, surge o nó final que faltava no retalho inicial das religiões politeístas primitivas: o conceito de vida após a morte.

Esse conceito servia para amenizar o sofrimento dos mais oprimidos e sem esperança. A eles era dito que dentro de cada um havia uma essência (que variava de cultura para cultura, mas que, em geral, nas culturas antigas, consistia da utilização do próprio corpo (por isso os processos de mumificação, embalsamamento e sepultamento avançaram tanto) nesta vida após a morte) imortal. Esta essência estaria aqui neste mundo para ser testada pelos deuses e, dessa forma, tudo o que passassem seria uma provação divina. Se fossem bem sucedidos em suportar os sofrimentos da vida, seriam recompensados com a libertação eterna após a morte. Porém, se revoltassem-se contra os governantes (os escolhidos dos deuses, lembram-se), suicidassem-se (apressando deliberadamente seu encontro com os deuses), ou não cumprissem os rituais adequados (o que tiraria o poder do clero institucionalizado); ao invés de serem premiados com a libertação eterna, seria punidos com a danação e muito mais sofrimento do que o suportados em vida.
 
 
2 – Os gênios do passado:

Quaisquer que fossem os argumentos que eu utilizasse seriam como palavras ao vento para justificar o que vou dizer agora. Aos dezoito anos, depois de ter conhecido religiões, tais como o Catolicismo e o Cardecismo, além de ter lido sobre várias outras filosofias de vida, decidi criar minha própria crença (cujos pressupostos aqui não convém).

Algumas pessoas, que se dispuseram a conversar, por suas próprias vontades, comigo a respeito de minha nova filosofia de vida ficaram intrigadas com alguns pontos, concordaram com uns e discordaram de outros, no entanto, todos aqueles que se dispuseram a abstrair, puderam até não concordar com ela, mas, com certeza, compreenderam-na.

Martinho Lutero

No entanto, uma pessoa me disse o seguinte: "Quem você pensa que é para criar uma Religião? Religiões são coisas muito importantes na vida das pessoas, elas foram criadas há, no mínimo centenas de anos e, justamente por isso, merecem mais crédito do que um pensamento de um adolescente!".
 

João Calvino
Tentei convencer a pessoa de que o que ela falava eram bobagens. 

É certo que os adolescentes, em geral, tendem a acreditar que suas idéias são revolucionárias, muito superiores às dos mais velhos, tendem também a pensar que vieram mudar o mundo. Com o tempo, porém, percebem que a ordem estabelecida é infinitamente mais forte do que eles e, das duas uma, ou tornam-se adultos revoltados com o mundo e, por conseguinte, frustrados consigo mesmos, ou aceitam a ordem estabelecida. 

Foi em vão, a pessoa teimava comigo que Moisés, Buda, Cristo, Lao Tse, Maomé, Martinho Lutero, João Calvino, Allan Kardec e outros eram verdadeiros gênios, do nível de Platão, Aristóteles, Sócrates e outros tantos filósofos e que, por isso, era muita presunção a minha achar que poderia fazer algo semelhante a eles.
Depois de uma desgastante discussão infrutífera, resolvi dar a conversa por encerrada, a pessoa se recusava a perceber que pessoas como as citadas anteriormente também iam ao banheiro, comiam, dormiam, sonhavam com coisas que não podiam ter, sentiam dor, medo, angústias... em suma, eram iguais a todos nós e, justamente por isso, tinham a mesmíssima capacidade de criação que qualquer ser humano normal. Sendo assim, só por fazer algo que eles fizeram eu não estaria sendo presunçoso, mas apenas sendo normal.

Maomé recebendo o Anjo Gabriel

Certa vez, voltei a conversar com essa mesma pessoa sobre o mesmo assunto. Depois de outra longa discussão, a pessoa vira e me diz: "Está bem, então eles eram normais, mas criaram coisas muito importantes e você não pode criar uma crença sem leva-los em conta. A todos eles!".

Dessa vez, perguntei se Cristo, em suas pregações, levou Buda, ou Lao Tse em consideração. Perguntei se Buda levou os que vieram depois dele em consideração, ou mesmo os que vieram antes, como Moisés e Zaratustra (ou Zoroastro). A resposta? Bem, não obtive uma até hoje.
 

3 – O que é a Abstração?

Abstração é a capacidade de abstrair, ou seja, o dom de ver uma coisa sem prestar atenção apenas no que se está vendo, mas também, e principalmente, no que não se está vendo.

Quando você lê um livro, um texto ou qualquer outra coisa, não deve ler acreditando que está aprendendo realmente algo novo, mas sim, sabendo que o autor está tentando lhe passar alguma crença dele de uma forma que somente ele seria capaz de fazer, pois somente ele pode ter aquelas percepções naquele momento. Por exemplo. Quando alguém lê a Bíblia, pode encontrar o que bem entender nela, isso porque, ela é um livro escrito em forma de parábolas, de historinhas que trazem em seu âmago alguma lição ou algum ensinamento. A interpretação de tais histórias não é, com certeza, aquela que seus autores desejaram, assim como não poderia mesmo ser, visto que quem está lendo tem um modo de vida completamente diferente daqueles que escreveram.

Ah, refutam alguns... "mas eles escreveram aquilo sobre inspiração divina". Então, pergunto eu. Porque hoje quando surge um INRI Christ, que se diz a reencarnação de Jesus Cristo, ninguém o leva a sério? Acaso os deuses, ou deus, o Jeová dos Cristãos, só caminhava no mundo (ou soprava suas inspirações) em tempos remotos?

A quem duvida que a Bíblia seja, assim como qualquer outro livro sagrado, um texto ideológico; proponho estas questões. Por que apenas os Hebreus (Judeus) são o povo eleito? Porque os filhos dos Egípcios pobres e médios foram também castigados por deus devido ao erro de seu governante? Além disso, como a própria Bíblia diz, se deus criou o mundo, o homem e tudo o que está nele, então porque motivo prefere um povo a outro? Porque seu filho (ou sua encarnação, como dizem alguns) não foi enviado a cada um dos povos, mas apenas ao povo Judeu?

Abstrair, nesse caso, seria pensar o que teria levado os Hebreus a criarem tais histórias, ingenuidade seria acreditar que elas teriam sido escritas sob inspiração (ou o que é pior, através das mãos) divina.

Citei a Bíblia, mas o caso é o mesmo para qualquer livro sagrado ou religião, em especial as três grandes religiões de eixo Judaico-Cristão: Cristianismo, Judaísmo e Islamismo. Veremos mais sobre a abstração ao longo do texto, mas em especial no item 4.
 

4 – A morte dos deuses e seu legado:

Este item pode é uma continuação do item "O nascimento dos deuses". Nele continuarei o relato "per se" da evolução do pensamento religioso enquanto filosofia ao longo das eras. Porém, neste item, além das informações históricas apenas (que, ao contrário das do item 1, são providas de fontes escritas) extrapolarei os avanços atuais com um prognóstico futuro.

Após a solidificação dos conceitos politeístas e astrais nas sociedades antigas, os deuses passaram a ser cultuados de maneiras distintas. Aqueles que fossem responsáveis mais por benefícios ao homem eram tidos como bons, em contrapartida, aqueles que causassem mais catástrofes eram tidos como maus. No entanto, tanto os bons quanto os maus eram cultuados. Os primeiros devido à necessidade de favores e os segundos para evitar sua ira.

A mentalidade humana começa a evoluir no sentido de criar uma visão de bem e mal. Isso se solidifica e se torna claro: o que segue de acordo com os pressupostos da cultura daquele povo é bom, o que não segue é mau (curioso que essa mentalidade perdure até hoje).
 

Zoroastro
Pois bem, na Pérsia, por volta do século VIII a.C., surge um importante pregador cujo nome é Zoroastro (também conhecido como Zaratustra). Ele defende uma idéia revolucionária e, portanto, totalmente contrária à do clero Persa. É ameaçado de morte, mas consegue o apoio de Vishtapa, um importante Príncipe Persa. Graças a esse apoio, Zoroastro passa a pregar por toda a Pérsia e, em pouco tempo consegue reformar a religião (a palavra religião vem do latim religare, ou seja, ligar de novo criador (deus, ou os deuses) e criatura (nós)) daquele lugar.

Para Zoroastro, não havia diversos deuses, mas apenas dois: Ahura-Mazdá e Ahriman. O primeiro seria o responsável por tudo de bom que acontece no mundo, e o segundo, o responsável por todo o mal. Ambos teriam criado o mundo e os homens em conjunto, como uma espécie de jogo para saber quem seria mais poderoso. 

Dessa forma, a Terra seria um eterno campo de batalhas celestial, onde cada ato ruim fortaleceria Ahriman e, o oposto, fortaleceria Ahura-Mazdá. No final, um seria infinitamente mais poderoso que o outro e, dessa forma, destruiria-o; sendo assim, o destino da humanidade estaria selado: ou estaria condenada à eterna escravidão sob a égide de Ahriman, ou seria agraciada com tudo o que há de melhor por ter ajudado o bem a vencer o mal.
 

Moisés e os 10 Mandamentos
Zoroastro também revolucionou o conceito espiritual, sendo talvez o primeiro a mencionar a alma como algo imaterial e interno. Para ele, todos teríamos uma virgem guerreira dentro de nós. Porém, teríamos que, em vida, tomar cuidado para que os males internos não penetrassem profundamente em nossas mentes, do contrário, a virgem seria violada e, sendo assim, em nossa morte, não poderia nos guiar para os braços de Ahura-Mazdá.

As teorias de Zoroastro se difundiram e, quando da volta dos Judeus do Egito (o êxodo, que teria sido conduzido por Moisés), influenciaram as crenças Hebraicas, dando origem às bases do mais forte tronco religioso moderno.

É certo que o povo Hebreu (os Judeus) já existiam muito antes dos feitos de Zoroastro e também é certo que tinham suas crenças. 

Porém, não se pode crer nas datações da Bíblia, nem pensar no deus do Novo Testamento como sendo o mesmo do início do Velho Testamento (utilizo-me de referências Bíblicas, pois considero que elas expressam tão bem as idéias e crenças judaicas como o Torah e Talmude). O deus do Novo Testamento é um deus reformulado pelas pregações de Jesus Cristo e de seus apóstolos, bem como pelas pregações de diversos profetas um pouco anteriores.  Já o deus do Velho Testamento, que também é apresentado no Torah, é um deus criado a partir de um sincretismo religioso possibilitado pela reunião do povo Judeu na Palestina depois da fuga do Egito (digo sincretismo, visto que é nitidamente possível se notar diversas tradições Gregas (como a criação do mundo a partir do caos), Babilônicas (como o dilúvio) e Persas (como o Dualismo, ou seja, um deus do bem lutando contra um deus do mal (é certo que o Judaísmo não materializa o demônio como o Cristianismo, no entanto, ele é também visto como um instrumento divino para testar o homem)) na religião Hebraica).

Neste ponto, a evolução filosófica das religiões havia matado diversos deuses, para ser exato, todos aqueles que representassem entidades da natureza. Haviam sobrevivido ao extermínio apenas dois deuses: o deus do bem (geralmente também o criador de tudo o que existe) e o deus do mal (às vezes também o criador juntamente com o deus do bem, mas em geral, apenas um poderoso opositor daquele que, através de estratégias ardilosas, tenta corromper a humanidade em seu favor para assim se tornar mais poderoso do que o deus do bem e poder tomar o universo de assalto). Todos os fenômenos da natureza passaram a advir de um desses deuses, dependendo de seu efeito. Além disso, os astros deixaram de ser a materialização das divindades (apesar de a noite, normalmente representante de deuses malignos em períodos mais remotos, continuar sendo temida por esses povos como sendo um período do dia onde o deus do mal estaria mais propenso a manifestar-se).

Jesus de Nazaré, conhecido como Cristo, isto é, "o Ungido de Deus", foi mais um pregador importante na História da humanidade. Homem de carisma, arrebatou multidões na Israel Romana e, depois de ser crucificado por traição às tradições Judaicas, seus seguidores (em teoria 12) espalharam-se por diversas regiões disseminando suas pregações.

Em essência, Jesus pregava o mesmo que os sacerdotes Judaicos do Templo de Salomão. Porém, ao contrário destes, pregava a humildade como virtude e considerava a si próprio como o enviado de Jeová (o deus dos Judeus) para salvar os filhos de Judá. Dizer ser Rei no Reino dos Céus e dizia que através do amor a humanidade se salvaria.

A perversão de suas pregações primeiramente confundiu sua figura à de Apolo, deus Grego do sol e filho preferido de Zeus (o deus dos deuses) e, em segundo lugar, espalharam pelo mundo ideais que, mais tarde (como veremos no item 6), seriam responsáveis por atos terríveis.

Apesar de Jesus ser o maior de todos os mitos do Cristianismo, ser, em verdade, o mártir que possibilitou o surgimento dessa doutrina, seus ensinamentos não foram uma evolução do ponto de vista filosófico. Isso porque, apesar de o Cristianismo se auto-proclamar uma fé monoteísta, ele não diverge do dualismo anterior a ele (até hoje, quase 70% dos Cristãos do mundo acredita em alguma forma de força maligna que dispute com Jeová o poder; até a Bíblia, o livro básico dessa doutrina, remete-se ao Juízo Final como sendo a batalha definitiva entre Jeová (o deus do bem) e Lúcifer (o deus do mal)).

Outro importante pregador foi Manes, que viveu no século III d.C., na Pérsia. Impregnado por ideais Judaico-Cristãos, Manes pregou uma doutrina que, apesar de também dualista, caracterizava melhor o bem e o mal. Para Manes, todos éramos criação do deus do mal, porém, nossas almas eram boas, sendo assim, precisávamos deixa-las nos guiar para que atingíssemos a salvação.

Sem saber, Manes estava abrindo o caminho para o verdadeiro monoteísmo, visto que começava a perceber que o bem e o mal não dependem de divindades, mas de nós mesmos; ou seja, nós somos os responsáveis pelo caminho que escolhemos na vida.

O Maniqueísmo foi visto por muito tempo como uma heresia do Cristianismo, por pregar que o criador é o deus do mal. Hoje em dia, poucos são os que sabem seus preceitos, ele é visto como uma filosofia (cuja visão é totalmente diferente do que pregou Manes) onde o bem e o mal são coisas bem definidas e distintas. É possível ver diversos "intelectuais" encherem a boca ao dizerem que determinada pessoa tem atitudes maniqueístas, quando na verdade, não sabem nem mesmo o que foi (ou é) esta doutrina.

No politeísmo, como vimos, os deuses serviam para justificar não apenas os fenômenos incompreensíveis, mas também o surgimento do homem, os acontecimentos cotidianos e a própria vida após a morte. No dualismo, os deuses continuavam servindo para esses mesmos fins, porém, à medida que a ciência evoluía, a característica de explicação de fenômenos naturais ia desaparecendo; sendo assim, nesse tipo de crença, a maior peculiaridade dos deuses é a justificação do bem e do mal. No monoteísmo, a última peculiaridade que resta ao deus é a vida, ou seja, ele é o responsável por sua criação e será um dia o responsável pela vida após a morte, sendo que o bem e o mal já são considerados intrínsecos do ser humano, ou seja, sem justificação externa (muitos têm dificuldade em compreender o bem e o mal pelo simples fato de que eles são apenas conceitos e, como tais, só têm valor se inseridos dentro de algum padrão de conduta, em outras palavras, de uma determinada cultura).
 
Pois bem, a esta altura da discussão, chega a vez de referirmos o ateísmo. Talvez a primeira doutrina realmente atéia da humanidade seja o Budismo. Essa doutrina foi criada no final do século VI a.C. por um Príncipe Hindu chamado Sidarta Gautama. Para ele, o homem era sofrimento e angústia; estes, por sua vez eram causados pelo apego às coisas matérias, pelo anseio por coisas materiais e pela vontade de satisfazer os cinco sentidos. Tais atitudes prenderiam o indivíduo ao samsara (ciclo da vida), fazendo-o reencarnar sucessivas vezes, o que o faria continuar a sofrer. O único modo de libertar-se do samsara seria através do desapego e da eliminação dos desejos. Para a obtenção de tal proeza, Sidarta (que ficou conhecido como Buda, ou seja, "o Iluminado") recomenda um código de ética pessoal rígido, que visa impedir sensações de apego, tais como amor, ódio, desejos, sonhos... O objetivo final do Budista é o alcance do Nirvana, ou seja, de uma nova forma de existência, possível apenas depois da libertação do samsara.

Estátua representando Buda

Como se vê, o Budismo é uma doutrina essencialmente atéia, mas não é a única, como ele, existem doutrinas mais recentes que pregam crenças em algumas coisas (e, portanto, não são céticas), porém não em deus, ou deuses. O ateísmo pressupõe um nível de desprendimento e abstração possível apenas para poucos (não por falta de capacidade, mas por falta de possibilidades, visto que a maior parte da sociedade atual vê doutrinas atéias com maus olhos e, por isso, as exclui, as relega a pequenos círculos), visto que nele não se encontram respostas claras para algumas das maiores dúvidas existenciais da raça humana, tais como "De onde vim?", "Para onde vou?", "Qual é minha missão aqui?", "Como surgiu o mundo?", "Quem veio primeiro? O ovo, ou a galinha?", "Tostines vende mais porque é fresquinho, ou é fresquinho porque vende mais?", dentre outras.

Na realidade, o ateu pode ou não ser cético (aquele que não crê em nada). Mas o ateísmo de que estou tratando no texto é aquele que não é cético, visto que o ateísmo cético será tratado apenas como ceticismo.

Em última instância, o ateu não têm necessidade de saber porque está aqui, de onde veio, qual sua missão ou outras questões. Muitos deles acreditam que a ciência já evoluiu muito e que continuará evoluindo, sendo assim, um dia tudo terá uma explicação científica. Esses ateus também são chamados de cientificistas. Porém, normalmente o que impede um ateu de ser totalmente cético é o medo. O medo da existência vazia, ou seja, o medo de que não haja uma vida após a morte e que, sendo assim, não se tenha nenhum sentido na vida.
 

5 – Ceticismo ou Ateísmo? Qual será o fim?

Decidi quebrar o item anterior no ponto em que quebrei e iniciar um novo porque penso que agora a discussão chegou em seu ponto culminante: existe uma alma?

Bem, todos os que têm um mínimo de conhecimento histórico sabem o quanto as religiões de um modo geral e o Cristianismo de um modo específico entravaram os avanços científicos da humanidade. Aliás, entravaram não, ainda entravam. Antes recusava-se a crer que a Terra fosse esférica, depois, recusava-se a crer que não fosse o centro do universo. Milhares de avanços retardados dezenas, ou até centenas, de anos no tempo devido ao medo da perda de poder, uma vez que a cada descoberta científica deus perde poder, credibilidade e o clero, força política.

Hoje discute-se a confecção, ou não, de um clone humano. Até hoje foram feitos clones de animais. Muitas experiências fracassaram, mas muitas outras deram certo. É certo que existem fatores éticos que devem ser observados na criação de um clone humano, visto que nossa civilização atual não aceitaria um exército de massas de manobras sendo criado em laboratórios para melhor atender seus anseios (será mesmo que não?), porém, o que tem entravado seu desenvolvimento não são esses fatores éticos, mas sim, o medo.

Todos, no fundo, tememos que um humano possa criar um outro humano que seja a cópia exata de um humano já existente. Isso porque nós cremos na alma (aquela virgem guerreira dos Persas) imortal e única, sendo assim, se é a alma que nos faz individuais, que é nossa verdadeira essência, como explicar outro ser exatamente igual a nós? Seria porque não somos providos de uma alma? Esse é o grande medo. O medo do vazio; o vazio provocado pelo ceticismo.

Se, como afirmei anteriormente, é necessário um alto grau de abstração e desprendimento pessoal para se ser ateu, para se ser cético esse grau é muito maior, justamente por isso um cético verdadeiro (no meio acadêmico é muito comum encontrar pessoas que se dizem céticas, porém, à medida que vêm a morte se aproximando, tendem a se agarram em alguma coisa para não sentirem suas vidas totalmente vazias e a extinção próxima, sendo assim, elas apenas aceitam aquilo que sempre tentaram esconder: nunca foram céticas verdadeiras) é tão raro. Um cético verdadeiro não tem motivações para viver, visto que a vida na sociedade moderna é muitíssimo curta (veja, uma pessoa normal dorme vive em média 70 anos, dorme 8 horas por dia e trabalha ou estuda outras 8; considerando-se que se perde mais de 2 a 4 horas diárias fazendo atividades relacionadas ao trabalhão ou ao estudo, vive-se realmente de 4 a 6 horas por dia; porém, dentro dessas horas deve-se incluir pelo menos 1 hora de refeições e 1 hora de higiene pessoal diárias, sendo assim, para você mesmo, sobram apenas de 2 a 4 horas diárias, o que no final da sua vida (de 70 anos) resultará no fato de que você viveu realmente algo entre 6 e 12 anos) para se realizar tudo o que se deseja, sendo assim, além de não se importar em ter respostas, como todo ateu, um cético verdadeiro também não pode se importar consigo mesmo (pelo menos não além daquilo que os prazeres da carne podem proporcionar).

Há quem diga que é preferível ter uma religião, mesmo que ela não esteja correta, do que ser um cético, visto que se as pessoas fossem céticas, nada as impediria de agir desordenadamente. Acredito que essa afirmação é correta, visto que a grande maioria das pessoas já não se importa com o próximo mesmo seguindo seitas Cristãs, que pregam justamente o amor ao próximo. Porém, se se quer viver bem, talvez a melhor vida seja a vida em harmonia, em paz. Sem exploração, sem imposição, a vida pela vida, como era nas sociedades Paleolíticas que citei no item 1.

Não sugiro que se volte ao nomadismo e ao atraso tecnológico, não sugiro que abandonemos tudo, mas que nos tornemos realmente mais HUMANOS, no sentido poético da palavra, ou seja, que nos respeitemos uns aos outros e que saibamos que nossos direitos terminam onde os dos outros começam e que todos os direitos são absolutamente iguais.

Carl Schmitt, autor da teoria da "teologia política" relaciona a cada tipo de governo uma religião própria. Segundo ele, ao ateísmo (que em sua concepção também é cético) corresponde a Anarquia. Esta, por sua vez, não é a bagunça que muitos acreditam, mas a forma de governo perfeita, pois pressupõe um nível de evolução social tão alto que torna qualquer tipo de autoridade não só obsoleta, como totalmente desnecessária.

Pensemos racionalmente, independentemente da existência, ou não, de deus ou deuses, na natureza, o maior exemplo possível de ser dado se se quer analisar qualquer obra supostamente divina, tudo o que existe é cíclico, não há a estrutura piramidal que as sociedades humanas se acostumaram a criar, onde uns crescem as custas de explorar outros. Não, tudo é exatamente proporcional e interdependente; e qualquer desequilíbrio afeta a ordem das coisas. Sendo assim, será que a estrutura de nossas religiões está correta? Será mesmo que temos que ter cleros poderosos e oligárquicos que controlam nossos cultos e nossas crenças para poderem impor seu modo de vida e sua ideologia às nossas vidas, inclusive nos privando de conhecimentos que poderiam ser muito úteis (só para que se saiba, existem obras inéditas de autores como Aristóteles e Platão, que estão guardadas no Vaticano isso porque a Igreja considera que a leitura de tais obras pelas pessoas pode não ser interessante; somente algumas pouquíssimas pessoas têm acesso a todo o acervo dos livros e rolos do Vaticano (agora lhes pergunto quem concedeu autoridade ao Vaticano para roubar fragmentos da História do mundo?)) à evolução humana?

Por fim, lanço duas perguntas:

1ª) Visto que a maioria das religiões ocidentais crê que apenas nós humanos temos alma, qual seria a explicação para o que acontece com todos os demais seres vivos após o término de sua existência na Terra? Será mesmo que o conceito de alma é intrínseco à vida, ou será que ele estaria ligado à consciência (pois se estiver, podemos ver agora mesmo que ele não é nada mais do que uma mera ideologia)?

2ª) Suponhamos que nós façamos contato com seres extraterrestres. Teriam eles sido criados por deus, ou por deuses? Seriam os deuses deles os mesmos que os nossos? Teriam eles explicações? Será que nossas autoridades políticas e religiosas nos permitiriam tomar conhecimento de tal contato, ou será que temeriam que tal ciência poderia por em risco os pressupostos básicos de nossa sociedade (e, por conseguinte, seus poderes)?
 

6 – Catequese, a maior de todas as violências:

Na realidade, como referi na Introdução, este texto abordaria a violência na religião. Porém, pode parecer ao leitor menos atento que ele em nada a abordou. É um engano, uma vez que toda a repressão e o domínio mental impostos pelas religiões às pessoas ao longo dos tempos constituem a maior violência que se pode ter notícia, justamente pelo fato de que a maioria das pessoas não está ciente de que a sofre ou sofreu em algum momento da vida.

Porém, para aqueles que não concordam com este ponto de vista, vou falar um pouquinho sobre a maior violência perceptível que as religiões podem fazer: a catequese.

Muitas pessoas se orgulham de pregar aquilo em que acreditam. Elas estão certas, até o ponto em que se trate de teorias comprovadas cientificamente, que irão acrescentar avanços puramente técnicos àqueles que os ouvirem. Porém, religiões não são assim. Não podem ser comprovadas cientificamente, nem de nenhuma outra maneira senão pela fé; e a fé varia de pessoa para pessoa e de crença para crença.

Certa vez aquela mesma pessoa a quem fiz referência no item "Gênios do Passado" me disse que achava perfeitamente correto dizer a um Hindu que ele estava errado em cultuar uma vaca como um animal sagrado, visto que a vaca é apenas um animal como outro qualquer e, sendo assim, não tem nada de divino. Refutei a pessoa dizendo que a comprovação que o Hindu tem de que a vaca é um animal sagrado é a mesma que ela tinha de que Jesus Cristo (a pessoa em questão é Cristã) era realmente a encarnação de Jeová na Terra.

A pessoa ficou irritada comigo porque falei de seu messias salvador, e quis dizer-me que a vaca é comida diariamente por milhares de pessoas e nem por isso algum fenômeno divino acontece. A isso, eu respondi que Jesus morreu na cruz da mesma forma que outras milhares de pessoas e nem por isso algum fenômeno divino aconteceu.

A pessoa ficou transtornada e então eu decidi parar de falar nesse assunto. Porém, veja o que a pessoa estava querendo (e talvez ainda queira) fazer, chegar a um indivíduo que está feliz em seu canto com sua religião e dizer-lhe que tudo no que sempre acreditou está errado, mas que ele ainda tem uma chance de se salvar, basta se arrepender e abraçar Jesus, pois como o próprio Jesus disse: "Não há salvação, senão através de mim!".

A catequese, em especial a Cristã, já fez muito pelo mundo! Destruiu civilizações inteiras, inclusive grandes Impérios como o Asteca e o Inca. Transformou estilos de vida, como o dos Vikings, promoveu guerras, como as Cruzadas.

A catequese, não só a Cristã, tem motivado atos de violência extrema contra aqueles que se recusa a se render a uma determinada fé. Haja vista o que os Judeus sofreram na Inquisição e no Nazismo, haja vista os atentados de 11 de setembro de 2001, os ataques Judeus aos Palestinos, os extermínios indígenas que ocorreram por toda a América.

A catequese também serviu para justificar a escravidão negra na América, assim como serve até hoje de desculpa para missionários se embrenharem no meio da selva Amazônica com o intuito de aculturar os índios convertendo-os ao Cristianismo e, com isso, imputando neles morais fora de contexto, como a utilização de roupas e a noção Cristã de casamento.
 

Representação de Cristo crucificado
Segundo eles próprios, sua intenção não é aculturar os aborígenes, mas tão somente levar-lhes um pouco do conforto da civilização. Coisas (como TV, rádio, telefone, máquinas agrícolas) que só servirão para destruir sua cultura, coloca-los em contato com doenças desconhecidas e, ao incluí-los na sociedade capitalista, torna-los pobres, pessoas que muito almejam e nada têm. Que grande benfeitoria!

Termino meu texto com a explicação de uma atitude minha. No item "Gênios do Passado", disse que criei uma doutrina própria, que a sigo e que alguns também o fazem. Disse também que não a revelaria aqui (neste texto) por que não era a ocasião. Reafirmo isso, pois penso que se alguém estiver interessado em conhecer uma nova filosofia de vida, me procurará, não terá que ter sua leitura interrompida por um pregador, assim como na Universidade de São Paulo, somos diariamente interrompidos no que quer que estejamos fazendo para termos que ouvir insistentes convites de pregadores Cristãos Jovens (ou algo parecido) para que freqüentemos um de seus encontros, onde supostamente "conheceremos algo muito mais quente do que o que conhecemos até hoje".