A UNIVERSIDADE (IM)POSSÍVEL

Danilo José Figueiredo
danilo@klepsidra.net
Quarto Ano - História/USP
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Introdução:

Esta é minha primeira resenha para Klepsidra. Particularmente, não sou muito adepto da confecção de resenhas, pois acredito que elas só têm duas utilidades primordiais: avaliação (no caso de um curso, para provar ao docente que o discente leu o determinado livro ou texto) e de crítica, no mais das vezes destrutiva, ao trabalho de outrem.

Esta resenha foi realizada originalmente para o Curso de História da Idéias ministrado pela Professora Doutora Maria Lígia Coelho Prado no primeiro semestre de 2002, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, no Departamento de História; sendo assim, foi confeccionada com o primeiro objetivo, o de servir como avaliação de um aluno perante um professor.

MARCOVITCH, Jacques -
A Universidade (Im)possível


Nesta, realizo uma crítica, talvez pretensiosa, a uma obra de um renomado acadêmico brasileiro (sim, porque apesar do nome, ele é brasileiro) que foi Reitor da maior Universidade da América Latina por quatro anos: o Professor Doutor Jacques Marcovitch.


É certo que dentre as inúmeras possibilidades de livros que me foram apresentadas para a confecção desta resenha, se optei por este, não foi, decerto, por acaso. Optei pela obra de Marcovitch pelo fato de ter, eu próprio, vivido (academicamente falando) o período em que ele foi Reitor da USP, pelo fato de sempre ter ouvido críticas à sua pessoa e à sua obra, críticas, no mais das vezes, feitas por pessoas que nunca leram sequer um exemplar de qualquer obra que seja deste autor, além de se desqualificarem no sentido de serem pessoas para as quais um indivíduo, pelo simples fato de estar numa posição de preponderância política, já é digno de críticas.


Ao ler Marcovitch, constatei que sua ascensão à posição que ocupou não se deu por acaso, ele realmente é um escritor de uma eloqüência fantástica, que cativa o leitor, além de ser, nos moldes de Fernando Henrique Cardoso, um intelectual maquiavélico com o dom de persuadir o leitor (ou espectador) menos preparado.


Com a leitura de “A Universidade (Im)possível”, constatei que Marcovitch realmente não tem a Universidade como ponto central de sua vida, mas sim como trampolim para a obtenção de poder político; poder esse que virá pelo convencimento da população de que o mundo (em especial o mundo Universitário) está errado e de que ele sabe o que fazer para conserta-lo (será que se pode ver um discurso Tucano aqui?).


1 – Sobre o autor e os propósitos do trabalho:


Jacques Marcovitch é professor da USP, formado em administração, foi Pró-Reitor de Cultura, Chefe do departamento de Administração da FEA-USP, Diretor da FEA-USP, Diretor do IEA-USP e, até o final de 2001, Reitor da Universidade de São Paulo.

Seu mandato de quatro anos conheceu uma das greves mais longas da história das Universidades públicas brasileiras, a greve de 2000, além de ter sido muito criticado por, entre outras coisas, supostamente compactuar com o processo de “sucateamento” da Universidade. Devido a todos esses méritos e deméritos da carreira do Professor Marcovitch e também devido ao fato de este livro ter sido concluído cerca de um mês antes do início de seu mandato como Reitor, em dezembro de 1997, escolhi esta obra como objeto de minha resenha.

2 – A obra em si:


A Universidade (Im)possível
é uma obra ousada, escrita num momento que se pode denominar como sendo o ápice da carreira de seu autor; ou seja, a nomeação como Reitor da maior e mais importante Universidade do Brasil, a USP; ela poderia ser até considerada como uma espécie de “plano de governo” para a instituição, isso porque, ao longo do livro, o autor lista os problemas da USP e dá vários indicativos de como soluciona-los.


No entanto, o livro é muito mais do que um mero “plano de governo”. É uma espécie de apanhado geral das experiências de um professor jovem, Marcovitch tinha apenas 50 anos na época em que escreveu-o, e, ao mesmo tempo, uma reflexão visando um futuro próximo onde o próprio autor estaria diretamente à frente dos problemas dos quais tomou conhecimento ao longo de sua vida.


A primeira impressão que o leitor desavisado toma do livro é falsa. Constitui-se da idéia, sugerida pelo título, de que a USP não seria uma Universidade Possível. Este leitor desavisado, que, em geral, constitui boa parte dos alunos da Universidade, é levado a intuir o que levara Marcovitch a querer ser Reitor de algo impossível.


Já na introdução, o autor não bons indícios de que o leitor desavisado está errado. No seguinte trecho das Notas do Autor Marcovitch diz: “Sem a pretensão de comparar conteúdos, mas apenas estabelecendo uma referência, lembremos o filme Ponto de mutação, baseado em obra homônima de Fritjof Capra. Há nele um personagem que se autodenomina um ‘romântico tardio’. Mas é esse poeta, falando em nome da realidade viva, que se contrapõe aos desencantos de uma cientista e ao pragmatismo excessivo de um político, ambos seus parceiros na instigante conversação que, afinal, vem a ser o roteiro do filme. O trio, de certo modo, reflete a composição de uma universidade. Pode-se enxergar na cientista traços da postura dos pesquisadores; no político, a síntese dos núcleos de poder, e no poeta, um resumo das atitudes de grupos teimosos que não cansam de propor saídas para as crises” (pp. 10-11). Pode-se perceber, então, que, na concepção do autor, os alunos ou não compõem a Universidade, ou, no máximo, fazem parte do grupo dos teimosos, em suma, dos que atrapalham visto que a teimosia gera a estagnação, uma das coisas mais criticadas por Marcovitch ao longo do livro.


Agora vejamos, acaso não seriam os alunos a maior razão de ser de uma Universidade? É claro que sim. Os alunos são a esperança de futuro da nação, justamente por isso, concordo com Marcovitch quando ele diz que “Todos os países desenvolvidos optaram, no início deste processo, pelo ensino superior público. Tal caminho foi ditado pelo entendimento progressista de que a formação de profissionais e o avanço da ciência interessam mais à nação do que ao indivíduo.” (p. 128). Porém, nesse caso, não deveriam os alunos fazer parte, na concepção do autor, da composição da Universidade?


Talvez a resposta para esse esquecimento se encontre na página 152, quando Marcovitch diz que “A função executiva deve preservar a dimensão científica ou a dimensão tecno-científica do professor. É comum observarmos dirigentes de faculdades ou chefes de departamentos cuja responsabilidade executiva os distancia totalmente das atividades de ensino, pesquisa e extensão. Isso não pode acontecer. “ (p.152), ou seja, talvez o próprio Marcovitch estivesse, na época em que escreveu o livro, tão atarefado com suas funções administrativas (era Pró-Reitor de Cultura e havia acabado de vencer a disputa pela Reitoria, disputa que deve tê-lo exaurido as forças), que tenha se esquecido do pequeno detalhe presente na Universidade. Detalhe chamado Corpo Discente.


Nem todas as idéias expressas na obra, no entanto, seguem por esse mesmo caminho tortuoso e muito passível de críticas. Há longos trechos do livro, maçantes, aliás, em que o ex-Reitor descreve o funcionamento de cada órgão da Universidade. Em alguns desses trechos, todavia, é notório que a descrição não é única e exclusivamente elucidativa, mas sim, feita com um tom de depreciação. Dentre tais trechos, podemos destacar em especial três: o sobre o movimento estudantil, o sobre os funcionários e o sobre a ADUSP.


No que se refere ao movimento estudantil, Marcovitch utiliza-se de sarcasmo para definir as “propostas inovadoras” a recém-eleita diretoria do DCE. Cita trechos da carta de posse da tal diretoria e, sem ser direto em seus argumentos, recorre a uma ambígua frase do célebre Antônio Cândido: “o moço que não é arrogante e não quer salvar o mundo não merece o nome de moço” (p.109). Com esta frase, a intenção de Marcovitch é, ao mesmo tempo, mostrar que com a idade vem a maturidade e, sendo assim, vão-se os ideais revolucionários e, se eximir da acusação de ter querido fazer tal afirmação, afinal, sempre poderá afirmar que o que disse foi que é próprio do jovem contestar a sociedade e que é por isso que o mundo caminha.


No que diz respeito aos funcionários da USP, Marcovitch é se mostra contrário ao direito livre de greve, favorável a uma intervenção severa do governo no caso de uma greve dos funcionários que impedisse a realização das aulas e, sobretudo, fecha os olhos ao fato de que os baixos salários pagos são um dos motivos mais importantes para o sucateamento da USP. “Vemos com reserva a greve no setor público e na universidade [...] Ser contra a greve não é necessariamente uma atitude reacionária. Pode ser, em alguns casos, uma atitude progressista, a favor do povo. Na universidade, os sindicalistas e a Reitoria não podem perder de vista qual a razão de ser da instituição. Imaginar uma greve como instrumento de protesto contra a sociedade ou contra a direção da universidade é um erro inaceitável. É lógico que um motivo excepcional pode surgir, mas a experiência mostra que as greves aqui realizadas tiveram um encaminhamento que acabou prejudicando a atividade de ensino e de pesquisa, sem atender a expectativas no campo salarial” (p.114).


Por fim, no que se refere à ADUSP, Marcovitch não parece se dar conta de que se trata de uma associação formada por Docentes da maior Universidade do Brasil, pessoas que ingressam em seus empregos tendo como requisito mínimo o nível de Doutor. Para ele, os membros da ADUSP não têm bons argumentos, são radicais em suas opiniões e o que é pior, além de não terem nenhuma noção de legalidade, pois “pedem a cabeça” do Reitor, são mal informados quanto aos assuntos que querem debater. Ainda, segundo o autor, as lideranças da entidade impõem restrições à pluralidade de pensamento, que é, segundo Marcovitch, um dos principais preceitos da Universidade a ser mantido, mas do qual ele próprio se esquece em alguns momentos de seu livro. Para ele “já aconteceu, por exemplo, de o Reitor atender a um convite para uma assembléia e encontrar na sala uma faixa dizendo ‘Fora o Reitor’ [...] Um diálogo mais maduro poderia se realizar, mas é muito difícil. O Reitor, até pelas assessorias que possui, está mais bem informado para enfrentar um debate de idéias do que a Associação dos Docentes. A Associação atua com as poucas informações de que dispõe e por isso torna-se mais ofensiva. Ela se transforma em mais um foco de contra-poder, mantido por um contingente voluntário de docentes” (pp.112-3). Acaso não seria interessante que os docentes tivessem acesso às informações de que precisam, afinal, acredito que pesquisadores renomados, como os que se encontram nos quadros da USP, não se negariam a ler informações de seu próprio interesse caso tivessem acesso a elas.


Uma observação muito interessante é feita pelo Professor Marcovitch em seu livro, esta observação, de fato, é extremamente importante pois, vinda de um homem que tem como bagagem o título de ex-Reitor da USP, poderia servir para que fossem revistas todas as estratégias de divulgação de pesquisas no Brasil e, quiçá, no mundo. Antes, porém, de expor tal observação é interessante que se note que, para o autor, o principal papel da Universidade deve ser para com o povo e, antes mesmo de seus alunos. Segundo essa visão, a Universidade teria um papel social muito forte e seria, dentre outras coisas a principal responsável pela evolução da nação.


Pois bem, logo em suas Notas do Autor, no início do livro, ele afirma que fez “uma deliberada opção pela linguagem direta e focamos nosso olhar sobre a realidade. O risco da simplificação existiu, claro, e certamente nela incorremos. O leitor notará, em vários momentos, a concessão ao detalhe e um certo viés expositivo ou factual. Tínhamos que optar entre a pompa estilística e a objetividade. Fizemos a escolha.” (p.11). Essa afirmação, por si só já poderia causar espanto e até comentários ríspidos de indivíduos adeptos da pompa estilística, aquela que cria a separação entre eruditos (participantes de um sistema universitário) e não eruditos (o restante da sociedade) para fazer com que os primeiros dominem os segundos através da omissão do conhecimento.

Como eu disse, apenas essa opção e essa afirmação já bastariam, mas elas dialogam, brilhantemente, deve-se dizer, com outro trecho muito mais distante do livro do Professor: “cabe imaginar o caso de o cientista de exatas ou de humanidades jamais decodificar, para a sociedade como um todo, o que é tratado no âmbito dos seus grupos de trabalho. Aí teremos um fosso dramático, inaceitável. Se jamais houver essa decodificação, a sociedade não poderá reagir criticamente. Será apenas beneficiária ou vítima passiva desse conhecimento. [...] Será que alguns pesquisadores estão usando códigos porque isso é necessário à troca de informações ou porque eles não têm muito o que dizer? Será que estão criando uma ‘auréola de respeito’ que mascara suas limitações? Estariam eles deixando de decodificar porque aquilo já foi decodificado por outras comunidades científicas e o seu papel é apenas repetitivo?” (pp.136-7).


Essa referência soa a denúncia e, como se não bastasse o fato de a linguagem a acadêmica distanciar a Universidade de seus princípios fundamentais atuais, ou seja, auxiliar a sociedade, ela também se faz inútil dentro da própria academia, visto que, como diz a Professora Ana Maria Bianchi, colega do Professor Marcovitch na FEA: “Um economista bem formado só consegue ler os artigos de sua própria especialização: aí fica um vácuo na comunicação com o público leigo e com os economistas de outras especialidades, muitas vezes preenchido por gente menos competente, que funciona como formadora de opinião” (p.137). Não fica difícil perceber que se um economista especializado, por exemplo, em economia agro-industrial não consegue compreender perfeitamente um texto acadêmico de economia internacional; quem poderá conceber a possibilidade de um biólogo compreender um texto de um historiador? Essa deficiência cria outro problema ainda mais sério do que a falta de comunicação entre a academia e a sociedade, a falta de comunicação dentro da própria academia. Isso leva a um entrave do que o próprio autor define como o ideal de Universidade.


Para Marcovitch, a Universidade ideal deve ser integrada, empreendedora e generosa. Sem entrar em pormenores pode-se citar as palavras do próprio autor para definir uma Universidade integrada: “A universidade é integrada, na medida em que promove o melhor aproveitamento de recursos escassos entre os vários departamentos e dentro de cada um deles. Essa integração deve ainda estreitar seus vínculos com outras instituições, em prol do avanço da ciência, somando recursos humanos que valorizem a diversidade. Uma diversidade que decorre dos ciclos de tempo e harmoniza valores peculiares a cada uma das diferentes áreas envolvidas” (p.175).


Quanto ao que me levou a selecionar este livro dentre tantos para a confecção desta resenha, ou seja, as críticas a Jacques Marcovitch, segundo as quais ele teria cooptado para o aceleramento do processo de sucateamento da USP que um dia, segundo os mais pessimistas, a levará fatalmente à privatização ou à adoção da cobrança de anuidades, pude constatar que o autor já tinha, antes mesmo de ser Reitor, posicionamento claramente contra a privatização, na medida em que defende que Universidades Públicas são o alicerce que permite a existência de Universidades Particulares, na medida em que as primeiras têm, em geral, a pesquisa que falta às últimas que, em contra-partida, têm o número de vagas que o mercado demanda e que faltam às primeiras.


No que diz respeito ao pagamento de anuidades, Marcovitch tem um posicionamento dúbio, hora parece se posicionar contra, hora não ter opinião formada a respeito. Nos momentos em que se posiciona contra, chega a impressionar pela veemência com a qual defende sua posição, chega mesmo a insultar de uma forma educada (se é que isso é possível) o então presidente do Banco Central, Dr. Gustavo Franco. Marcovitch diz: “Alguns, fora da universidade [...] Supõem, erradamente, que se os alunos pagassem para estudar na USP o Estado pouparia recursos para o ensino básico, o qual estaria milagrosamente salvo em função dessa transferência orçamentária. Surpreende que entre os defensores da panacéia figure o presidente do Banco Central, um economista obrigado, por dever de ofício, ao cuidado mínimo de fazer contas. Se as fizesse corretamente ele não cometeria os lamentáveis equívocos de uma entrevista à Folha de S. Paulo publicada em 1997. Chegaria à conclusão elementar de que os recursos decorrentes do pagamento de anuidades seriam irrisórios no orçamento de uma universidade como a USP, voltada simultaneamente para a pesquisa, o ensino e a extensão. Registre-se ainda, para orientação contábil do entrevistado, que os custos de implantação de ensino pago na USP acabariam zerando a modesta receita adicional eventualmente proporcionada ao erário.” (p.128).


A atitude do Professor Marcovitch em criticar tão diretamente o presidente do Banco Central mostra coragem e comprometimento com sua causa, visto que para um homem na posição de Marcovitch; ou seja, que estava ascendendo a um cargo cuja nomeação depende da figura do governador que, na época era, por acaso Mário Covas, homem do mesmo partido de Fernando Henrique Cardoso, o presidente, que havia escolhido Franco para a presidência do Banco Central; era arriscado comprometer-se num ataque direto a um homem tão poderoso como Gustavo Franco. Isso poderia ter prejudicado sua carreira, mas não o fez.


É claro que numa resenha não se pode ter a pretensão de cobrir todos os pontos da obra resenhada, afinal de contas, por maior que seja a resenha, ela nunca terá sequer dez por cento do tamanho original da obra, sendo assim, não espero que esta resenha esteja completa, apenas o menos mal escrita o possível. É, no entanto, necessário, para que ela seja finalizada, que se tente determinar qual o objetivo do autor ao escrever a obra. Por que publica-la naquele momento e por que da forma como foi feita? Questionar é preciso, pois como já dizia Homero, a História é composta de perguntas, é uma enquete.



Ao longo de todo o livro, Marcovitch reitera a importância da “missão” acadêmica, da “missão” da universidade. Missão, na acepção da palavra, quer dizer, entre outras coisas, “estabelecimento, instituição ou instalação de missionários para a pregação da fé” (Dicionário Aurélio). É claro que o termo missão poderia facilmente ter sido substituído por outros como função, objetivo e até obrigação, mas acredito que a opção por este termo em detrimento dos demais sinônimos foi proposital.

Em sua obra, Marcovitch fala que a universidade “preserva sua missão indelegável, que é a de buscar a verdade e formar as lideranças do futuro” (p.178). Percebemos que nesta frase o autor utiliza-se das palavras “missão” e “verdade”, além disso, o livro é todo escrito na primeira pessoa do plural, apesar de Marcovitch tê-lo escrito sozinho. O que isso pode nos dizer? Que mensagem oculta pode haver nas palavras do, na época, futuro Reitor da maior Universidade do país? Além disso, por que teria ele optado por uma linguagem mais acessível e não a de um mero texto de divulgação acadêmica, como fazem tantos intelectuais? Será mesmo que a maior preocupação de Marcovitch é com a sociedade? Que estava tão bem intencionado em relação à USP quanto dizia? Será que o ex-Reitor não teria outros planos em mente quando escreveu este livro? Por que esperar às vésperas de sua posse como Reitor, momento em que deveria estar tão atarefado que não poderia pensar em mais nada, para lançar o livro? Por quê?


Não há uma resposta correta para essas perguntas, mesmo porque, uma resposta correta implicaria em ser verdadeira e verdade, no campo das ciências humanas, é apenas um ponto de vista e, sendo assim, aquele que, nessas ciências (das quais a administração e a economia, até certo ponto, fazem parte) busca a verdade só a encontrará na Religião. Talvez seja isso. Talvez a Religião, ou, mais precisamente, a Fé, seja a resposta para a Universidade Possível de Marcovitch. Talvez... é o máximo que posso concluir com certeza.

         3 – Bibliografia:

         à MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe.

à MARCOVITCH, Jacques. A Universidade (Im)possível.




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