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A imprensa subversiva no Brasil
da década de 1930
O papel dos Boletins
Carlos Ignacio Pinto
carlos@klepsidra.net
Bacharel em História / USP
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Introdução

            O trabalho de pesquisa deveria ser obrigatório ao currículo de qualquer historiador, pois a análise de bibliografia e abstrações intelectuais não formam os profissionais em níveis mais completos e questões mais abrangentes.  A elaboração de resultados, bem como a produção em pesquisa tornam-se elementos básicos daquele que busca muito mais do que a compreensão da história em livros, mas baseado na própria experiência. É sobre este prisma que se insere o trabalho que aqui venho propor:  poder participar do momento histórico que pretendo abranger não apenas pela análise bibliográfica, mas como pesquisador e produtor de questões e alguns esclarecimentos da época.


           
Este trabalho traz consigo além da proposta de análise de um período histórico, todo o desejo de um aluno de graduação que busca complementar seus estudos com uma proposta que possa envolver também a produção de resultados. O contato com outros pesquisadores, do próprio orientando com  orientador, as fontes e a busca de novos conhecimentos, são todos fatores de um mesmo desejo, o da Produção Historiográfica.


           
Logicamente que nem tudo é tão simples e a pesquisa em si envolve dedicação e muita força de vontade. É  algo que envolve tempo e compreensão alem de uma boa orientação. Mas a vontade e a excitação provocada pelo contato com as fontes, juntamente com os objetivos que movem a pesquisa são mais do que suficientes para tornar nosso trabalho  um processo produtivo e satisfatório. O trabalho com característica de realização profissional.


Quem busca fazer algo

Encontra um meio.

Quem não quer

Encontra uma desculpa.

Provérbio Árabe.


 

Justificativa

            A década de 30 é marco divisor de águas na História brasileira. De um lado, o declínio de uma classe social constituída até o momento por uma elite agrária rural, os Senhores do Café. De um outro a ascenção da burguesia industrial e o crescimento do proletariado urbano. Em meio a este contexto, o Estado, que tenta se firmar e definir sua atuação dentro desta sociedade. É o momento em que o proletariado urbano inicia sua luta de reivindicações, juntamente com os trabalhadores rurais. Constituem-se no seio desta sociedade, organismos de questionamento e defesa destes trabalhadores.



A Sociedade Brasileira de
Assistência Médico-Jurídica
publicou "Liberte-se para defender-se
dos males", obra confiscada.

          A força de atuação dos trabalhadores, seja no meio urbano ou rural, começa a ser vista como uma fonte séria de ameaças a consolidação do Estado Novo de Getúlio Vargas.  De um lado a contestação social que começa a se evidenciar aos finais da década de 20, estimulada pela rápida propagação dos ideais comunistas, socialistas e anárquicos no Brasil. De um outro o organismo do Estado que enxerga nestes movimentos, o “que” de contestação de sua postura e trabalho social.

            Esta tensão é o tema que norteia este trabalho. O embate entre  Estado junto a  burguesia industrial versus proletariado, se trava em vários meios: Seja nas legislações Trabalhistas que visavam fornecer ao Estado o quase total controle sobre a autonomia dos sindicatos e declinar o movimento proletariado, seja no projeto burguês de “modernização[1] do proletariado e controle sobre o mesmo, ou seja na resistência dos trabalhadores. E é sobre esta resistência que o trabalho vem diretamente tratar.


  
           Como se dava o embate entre a resistência e a reivindicação contra os aparelhos burgueses e do Estado ? Para o movimento proletariado, quer ele fosse comunista ou socialista ou anarquista, o importante seria um maior número de adeptos (o que pode se constatar nos prontuários do DEOPS que trazem propaganda classificada como subversiva) para que o mesmo adquirisse expressão e força. Não implica em que  muitas vezes os movimentos tenham sido organizados em células únicas, como fábricas, indústrias ou fazendas específicas, mas sempre buscando uma unidade e uma adesão de um grande número de trabalhadores.


           Para busca desta adesão, os movimentos proletários apoiavam-se em divulgação de seus ideais e propósitos, ou seja, a propaganda política ou “subversiva”, como o próprio Estado caracterizava, alem de outros métodos, mas que não cabem a este trabalho analisar.

          A propaganda podia dar-se desde o “boca a boca” até a organização de grandes comícios ou passeatas.

Composição tipográfica de A Classe Operária, do PCB,
apreendida pelo DEOPS-SP em 1932


             Mas a fonte de análise deste trabalho é um caráter específico da propaganda subversiva: Os Boletins.


           
Os boletins possuem características específicas e são apreendidos em grande número pela Polícia da Ordem Social, o que demonstra a intensidade com as quais são publicados. Trazem consigo informações diversas, bem como, toda uma contextualização  que pretendo abordar em um outro capítulo deste projeto.


           
Como a apreensão se deu em  grande número no período (o próprio arquivo do DEOPS é uma fonte imensa para análise, lembrando-se dentre muitas outras fontes que  há um prontuário[2] no arquivo do Estado, dividido em dez volumes, dedicado exclusivamente a propaganda comunista), fontes para análise não faltam. Desde prontuários de organizações específicas, como de indivíduos que produziam e distribuíam boletins entre a população, incluindo os que ainda não estão catalogados.

           


Objetivos

            A pesquisa pretende descobrir e compreender o caráter específico dos boletins, bem como produção, distribuição e a constante dos conteúdos. 


      Em quais níveis se davam estes processos. O envolvimento das pessoas, organizações e o próprio Estado, nos relatos que trazem consigo as apreensões.

         
Onde se fabricavam ? Terá sido a impressão constituída em meios comuns ou diferenciavam-se em vários aspectos ? Como se considerar os boletins escritos (a grande maioria) se a maioria da população era iletrada ? Quem eram os responsáveis pela impressão ? Sempre algum indivíduo ou elaborados por um conjunto ? Qual a lógica dos boletins ?




Maquinário e material apreendidos do PCB em 1932

          Compreender a distribuição entre o meio rural[3] (sem nunca perder de vista que a população estava presente em maior número no meio rural) e o meio urbano, além do próprio meio industrial, em caso de indústrias específicas a exemplo do boletim destinado aos funcionários do Frigorífico Armour[4] ou da Fábrica Klabin[5].


           
Alem de todo o trabalho intelectual, a pesquisa também pretende contribuir com o banco de dados do Arquivo do Estado de São Paulo, na medida em que ao analisar-se os prontuários ainda não catalogados, o próprio pesquisador se encarrega de catalogá-lo. Formar um banco de dados para facilitar a pesquisa é permitir a democratização das informações ali contidas para que um maior número de pesquisadores tenham a possibilidade de poder consultar fontes primordiais a seu trabalho e que por muitas vezes nos dias de hoje, ficam impedidos devido a  indisponibilidade de um catálogo que de certa forma agilize a pesquisa.


           
Feito todo o trabalho de pesquisa que permita esclarecer todos os pontos aqui colocados, os resultados do trabalho devem ser disponibilizados a todos que tenham interesse, através da elaboração e confecção de um livro que traga consigo todos os resultados possíveis obtidos durante a pesquisa. Signifique, talvez sob uma órbita muito pessoal,  realizar  o sonho de qualquer pesquisador sério e envolvido com sua pesquisa: A publicação de sua obra.


           
O livro torna-se o produto final desta pesquisa, e deverá conter todas as respostas possíveis de terem sido suscitadas e  respondidas pelo trabalho.

Balizamento

            Como já abordado na justificativa, o período a que a pesquisa irá se ater é a passagem da década de 20 para a de 30 até meios dos anos 40. Esta baliza cronológica corresponde  exatamente a fomentação do movimento operário no Brasil, a “Revolução de 30”,  ascenção da burguesia industrial e consolidação do Estado Getulista.


           
Na análise inicial dos prontuários, pude perceber que é principalmente durante a década de 30, onde se dá o maior número de produção da matéria prima desta pesquisa. Indica uma atividade dos sindicatos, das organizações e da própria movimentação dos indivíduos em grande escala. Conforme aumenta a repressão, o controle do Estado se faz mas presente e, como não poderia deixar de ser, a propaganda estadista ganha campo, os movimentos vão se enfraquecendo e a produção se reduzindo.


           
A análise do final da década de 20 poderá permitir estabelecer os preceitos necessários para reconstituição dos moldes desta industria panfletária que irá tomar corpo na década de 30. Sua análise em 40 irá tentar estabelecer as mudanças e conservação daquilo que era essência; descobrir quais pontos divergiam na abordagem da década de 30, bem como  a assimilação dos projetos do Estado pelo proletariado.

Fontes

            As fontes pesquisadas até o presente momento são exclusivamente do Arquivo de Estado de São Paulo e resumem-se a prontuários de partidos, sindicatos e indivíduos fichados no DEOPS, durante a época já anteriormente estabelecida.


           
Em um momento posterior, a pesquisa deve abranger suas buscas em fontes fora do Estado (como por exemplo Rio de Janeiro ou Rio Grande do Sul) nos arquivos de departamentos que possam corresponder ao DEOPS do estado de São Paulo nos respectivos estados, bem como em outras fontes, como as que possam fornecer a propaganda política por parte do Estado, visando resgatar a resposta ou atuação do estado contra disseminação das “idéias subversivas”.

Tipologia

 

A) Policiais: Que constam no arquivo do DEOPS.

A.1)     Fontes até agora já consultadas:

·        Prontuário Nº 1110. Propaganda Comunista. Vol. de 01 a 10. Já consultado o Volume 04.

·        Prontuário Nº 2601. Fábrica Klabin.

·        Prontuário Nº  2585. Paulo Rubião Meira.

·        Prontuário Nº 2259. Typographia do Partido Comunista.

·        Prontuário Nº 3121. Angelo Josi.

·        Prontuário Nº  2589. Syndicato dos Moinhos e Similares de São Paulo.

·        Prontuário Nº 2594. Sindicato Centro dos Estivadores de Santos.

 A.2) Fontes até agora levantadas porem,  não consultadas:

·        Prontuário Nº 149.100. Sindicatos dos Administradores de Marília.

·        Prontuário Nº 149.100. Luiz Seraphim do Espírito Santo.

·        Prontuário Nº 6120. Sindicato dos aprovadores de Santos.

·        Prontuário Nº 118.818. Sindicato dos Advogados de São Paulo.

·        Prontuário Nº  127.852. Sindicato dos Advogados do Rio de Janeiro.

·        Prontuário Nº 50792; Sindicato dos Agenciadores de Publicidade e Propagandista do Brasil.

·        Prontuário Nº 40427; Sindicato dos Agricultores de Banana de Santos.

·        Prontuário Nº 249; Sindicato dos Ajudantes de Despachantes Aduaneiro da Alfandega de Santos.

·        Prontuário Nº 3471; Sindicato dos Alfaiates  e anexos de São Paulo.

·        Prontuário Nº 92714; Sindicato dos Alfaiates de Piracicaba.

·        Prontuário Nº 36290; Sindicato dos Architetos e Construtores de Santos.

·        Prontuário Nº 129.836; Sindicato dos Arrumadores de São Paulo.

·        Prontuário Nº 101.548; Sindicato dos Artefatos de Borracha de São Paulo.

·        Prontuário Nº 5075; Sindicato dos Artífices de Madeira de São Paulo.

·        Prontuário Nº 37796;  Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo.

·        Prontuário Nº 128.775; Sindicato dos Assalariados Agrícolas e Colonos de Franca.

·        Prontuário Nº 335.302; Sindicato e Associação dos Viajantes Comerciais.

·        Prontuário Nº 37741; Sindicato dos Atacadistas de Frutas de São Paulo.

·        Prontuário Nº 10.314; Sindicato dos Atores Teatrais, Cenógrafos e Ceno(?)(fita rompida).

·        Prontuário Nº 117.950; Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte.

·        Prontuário Nº 126.017;  Sindicato dos Bancários de Marília.

·        Prontuário Nº 5057; Sindicato dos Bancários de Santos.

·        Prontuário Nº 198.461; Sindicato dos Bancos no Estado de São Paulo.

·        Prontuário Nº 119.967; Sindicato dos Borracheiros de São Paulo.

·        Prontuário Nº 4256; Sindicato dos Carregadores de Cargas e Bagagem de São Paulo.

·        Prontuário Nº 6281; Sindicato dos Canteiros e Trabalhadores em Pedreiras de Santos.

·        Prontuário Nº 5711; Sindicato dos Carregadores e Transportes de Bagagens do Porto de Santos.

·        Prontuário Nº 75906; Sindicato dos Carroceiros de Santos.

·        Prontuário Nº 769; Sindicato dos Carteiros.

·        Prontuário Nº 4158; Sindicato dos Carvoeiros de São Paulo.

·        Prontuário Nº 29.064; Sindicato das Casas Bancárias do Estado de São Paulo.

·        Prontuário Nº 5355; Sindicato Centro dos Construtores e Industriais.

·        Prontuário Nº 2594; Sindicato Centro dos Estivadores de Santos.

·        Prontuário Nº 172; Sindicato Centro Musical de São Paulo. Sindicato dos Músicos de São Paulo.

·        Prontuário Nº 419; Sindicato dos Chauffeurs de São Paulo. Sindicato dos Condutores de Veículos.

·        Prontuário Nº 43877; Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Chapéus de São Paulo.

·        Prontuário Nº 9252; Sindicato dos Cirurgiões Dentistas de Santos.

·        Prontuário Nº 101.045; Sindicato dos Colonos Assalariados Agrícolas de Catanduva.

·        Prontuário Nº 71948; Sindicato de Colonos e Camaradas de Monte Aprazível.

·        Prontuário Nº 125.366; Sindicato dos Colonos e Camaradas de Val Paraíso.

·        Prontuário Nº 36. 334; Sindicato dos Comerciantes de Artigos Dentários do Rio de Janeiro.

·        Prontuário Nº 6716; Sindicato dos Comerciantes de Jóias e Objetos de Ourives de São Paulo.

·        Prontuário Nº 27321; Sindicato dos Comerciantes de Material e Instrumental Científico de São Paulo.

·        Prontuário Nº 3099; Sindicato dos Comerciários de São Paulo; Vide Sindicato dos Empregados no Comércio.

·        Prontuário Nº 6715; Sindicato do Comércio Atacadista de Algodão do Estado de São Paulo.

·        Prontuário Nº 34644; Sindicato do Comércio Atacadista de Café no Estado de São Paulo.

·        Prontuário Nº 19680; Sindicato do Comércio Atacadista de Carvão Vegetal  e Lenha no Estado de São Paulo.

·        Prontuário Nº 6736; Sindicato do Comércio Atacadista de Drogas e Medicamentos.

·        Prontuário Nº 52.022; Sindicato Comércio Atacadista de Gêneros Alimentícios em São Paulo.

·        Prontuário Nº 9394; Sindicato do Comércio Atacadista de Louças, Tintas e Ferragens de São Paulo.

·        Prontuário Nº 7296; Sindicato do Comércio Atacadista de Maquinismo em Geral do Estado de São Paulo.

·        Prontuário Nº 7297; Sindicato do Comércio Atacadista de Materiais de Construção de São Paulo.

·        Prontuário Nº 6886; Sindicato do Comércio Atacadista de Tecidos, Vestuários e Armarinhos de São Paulo.

·        Prontuário Nº 20.221; Sindicato do Comércio do Brasil.

·        Prontuário Nº 8.063; Sindicato do Comércio de Carnes Frescas de Santos.

·        Prontuário Nº 6657; Sindicato do Comércio Varejista de Automóveis e Acessórios.

·        Prontuário Nº 59.442; Sindicato do Comércio Varejista de Barretos.

·        Prontuário Nº 34.287; Sindicato do Comércio Varejista de Bragança.

·        Prontuário Nº 10.016; Sindicato do Comércio Varejista de Campinas.

·        Prontuário Nº 22.826; Sindicato do Comércio Varejista de Carnes Frescas em São Paulo. Vide Sindicato dos Proprietários de Açougues.


Obs: O número de Prontuários de Sindicatos encontrados no Arquivo do DEOPS, passa de 600, portanto tornando-se inviáveis de citação no presente trabalho, mas a pesquisa pretende consultar todos.


A.3) Prontuários a serem localizados:

·        Kosma Ulamin

·        Basilio Ahuener

·        Antonio Cardoso

·        João de Freitas

·        Ernesto Wunsch

·        Mariano Kekleskis

·        Gaspar Sargunas

·        Max Scemmel

·        Manoel Monteiro


    Os nomes que constam a partir de agora pertencem a uma lista de nomes que forma identificados por um outro pesquisador [6] , que observa um outro tema, porem, podendo ser aproveitados estes prontuários em minha pesquisa, visto que, em grande parte, estes nomes estavam engajados na propagando política tido como subversiva.


-         Abilio Neves

-         Adelino Pinho

-         Adolfo Sanchez

-         Agostinho Farina

-         Alceste de Ambrys

-         Alessandro Cherchiai

-         Alfio Tomanisi

-         Amor Salgueiro

-         Angela Bandoni

-         Antonio de Jesus

-         Antonio de Oliveira

-         Arthur Napoleão Saldanha

-         Atílio Pessagno

-         Augusto Donati

-         Benjamin Motta

-         Bixio Picciotti

-         Carlos Escobar

-         Carlos Garcia

-         Carlos Tabuso

-         Claudio Álvares

-         Concepción Fernandez
-         Diogo Gimenez

-         Domenico Panzarini

-         Donato De Vittis

-         Emilio Martins

-         Everardo Dias

-         Flávio de Carvalho

-         Florentino de Carvalho

-         Francisco Arouca

-         Francisco Chaves

-         Francisco Cianci

Página inicial de prontuário produzido pelo DEOPS-SP

-     Francisco Galdim

-         Francisco Rodrigues

-         Francisco Valdívias

-         Galileo Botti

-         Gastão Massari

-         Geraldo Souza Meira

-         Germano dos Santos

-         Germinal Louenroth

-         Gigi Damiani

-         Giulio Sorelli

-         Gusmão Soler

-         Henrique Hossman

-         Henrique Mendes

-         Hermínio Marcos Hernandez
-         Izabel Cerutti
-         João Bacchetto

Salvo-conduto concedido pelo DEOPS a um imigrante japonês

-         João Baptista Dubieux

-         João Barbosa

-         João Bentivegna

-         João da Costa Pimenta

-         João Falina

-         João Marcola

-         João Paulo Fernandes

-         João Perez Parrada

-         Joaquim Barosa

-         Jornal "A Barricada"

-         Jornal "A Lanterna"

-         Jornal "A Luta Proletária"

-         Jornal "A Questão Social"

-         Jornal "A Terra Livre"

-         Jornal "A Vanguarda"

-         Jornal "A Voz do Trabalhador"

-         Jornal "Brasil Operário"

-         Jornal "O Amigo do Povo"

-         Jornal "O Grito do Povo"

-         Jornal "O Libertário"

-         Jornal "O Operário"

-         Jornal "O Primeiro de Maio"

-         Jornal "O Socialista"

-         Jornal "O Trabalho"

-         José Ardonoe
-         José B. Herrara

Termo de declarações de 1936 encontrado em prontuário

-         José Bacchiani

-         José Oiticica

-         José Perez

-         José Sarmento

-         Luiz Alonso

-         Luiz Paparo

-         Luiza Pessanha Branco ou Luiza Peçanha de Camargo Branco

-         Mamede Freire

-         Manoel Garcia

-         Manoel Sanchez

-         Manuel Moscoso

-         Marcos Corti

-         Mario Mendes

-         Martins Fontes

-         Matias Garcia

-         Miguel Palmer

-         Natalino Rodriguez

-         Neno Vasco

-         Nicola D'Albencio

-         Oresti Ristori

-         Osorio Cesar

-         Oswaldo Carlucci

-         Rafael Gimenes

-         Silverio Fontes

-         Teixeira Lino

-         União das Classes Laboriosas

-         Vicente Mandarano

-         Vicente Vacirca

 

Acervos e Bibliotecas


        
As bibliotecas a serem consultadas inicialmente deverão ser as mais próximas da faculdade. Segue o mesmo exemplo para os arquivos.

·        Bibliotecas da Universidade de São Paulo.

·        Biblioteca Municipal Mario de Andrade; São Paulo.

·        Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

·        Biblioteca da Unicamp; Campinas-SP.

·      Arquivo do Estado de São Paulo; Prontuários do Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo

·        Arquivo do Estado de São Paulo; Hemeroteca.

 

 

O Tema Visto Pela Historiografia


           
A propaganda subversiva no Brasil vem sendo discutida de longa data, porem os trabalhos que tratam sobre o assunto são muitos poucos, como o trabalho de Maria Luiza Tucci Carneiro [7] . Há tambem trabalhos como o de Darnton [8] , mas que trata em ênfase sobre a Revolução Francesa, trazendo uma ótima abordagem sobre a questão da clandestinidade.


           
Porem, quanto ao aspecto específico ao qual me proponho a pesquisar e discutir em meu projeto, a função e lógica dos boletins como meio de propaganda subversiva, não há nenhum trabalho no Brasil. A idéia é inovadora até mesmo pelo fato de que  os arquivos em todo o país que possuam material para semelhante pesquisa, a pouco tempo vem sendo disponibilizados aos pesquisadores e interessados.


           
O que podemos destacar em  produção histórica para esta época é a grande discussão política sobre o período. Historiadores diversos como Boris Fausto, Caio Pardo Junior, Zelia Lopes da Silva, dentre outros, promoveram um grande embate sobre as questões sociais e políticas dos anos 30 e 40. A propaganda subversiva e o combate do Estado as idéias “revolucionárias” que contrapunham os ideais estadistas, quase nada possuem de trabalhos publicados. A intenção é trazer um aspecto novo a discussão antiga.

 

Metodologia da Pesquisa


           
Questões Teóricas


           
Os boletins tidos como “subversivos” trazem a tona a questão da propaganda política na época em discussão. O trabalho que vem sendo proposto busca entender em que parâmetros se da esta discussão de propaganda política, o que podemos caracterizar realmente como tal, e o que o Estado enxergava como o mesmo. O autoritarismo a que ficavam submetidos o julgamento do que era ou não era “perigoso”; a lógica da desconfiança do Estado autoritário.      


           
Ainda mais especificamente, qual era a função lógica dos boletins; sua grande apreensão  como meio  de propaganda política; e quando a produção do mesmo era necessário? A compreensão da ligação que o mesmo buscava criar entre  produtor e leitor. Havia um público alvo sempre ? Se sim, o que o diferenciava da produção de outro boletim? Apesar de receptores diferentes, os boletins possuíam uma mesma concepção, portanto genéricos ?


           
Portanto as questões teóricas buscam a compreensão da visão política de construção do novo Estado e a lógica de tudo aquilo que o Estado enxergasse como “subversivo” e a resposta contra o autoritarismo  na busca da união e propagação de diferentes ideais e idéias nesta sociedade que sofria profundas transformações, não somente a nível nacional, mas que tambem respondia as mudanças exteriores.

 

Técnicas de Pesquisa


           
A pesquisa deve obedecer a um esquema de trabalho previamente estabelecido e conta com a elaboração de materiais que permitam uma maior agilidade no fornecimento e anotação de dados, como as fichas de pesquisa que se seguem.

           

Ficha para anotação de dados bibliográficos

Autor

Nome

Livro

Título, Cidade, Editora, Ano.

Dados Bibliográficos

Anotações Bibliográficas, remissão a outros livros, trechos com número de páginas.

 

 

 

 

Ficha para anotação de dados em Prontuários do DEOPS

Prontuário Nº                                                 Nome/Instituição

Vulgo e/ou Codinome:

Filiação:  - Pai

               - Mãe

Data de nascimento: dia/mês/ano                     Estado Civil:

Nacionalidade:                                    Naturalidade:

Sexo:

Residência: (cidade/estado)

Profissão:

Empresa:

Envolvido em propaganda subversiva (Sim) (Não)

Boletins (Sim) (Não)

Distribuidor (Sim) (Não)

Impressor (Sim) (Não)

Número do documento com Boletim

 

Datas Limites: dia/mês/ano  até  dia/mês/ano

Remissões a outros prontuários:

Palavras-Chave:

 

 

 

Resumo de conteúdo do Prontuário:

Ficha para caracterização do Boletim

Prontuário Nº                                                  Doc. Nº

Caracterização do Boletim: Data; A qual instituição ou ideologia; Impresso de que forma; escrito a mão;

Consta local de Impressão (Sim) (Não)

Local:

Consta Imagem  (Sim) (Não)

Se Constar, preencher último quesito da ficha.

Conteúdo do Boletim:

Descrição da Imagem/gravura do Boletim

 

Proposta para Capítulos e Sub-Capítulos da Pesquisa

 

I-                   Introducão

II-                Apresentação

III-              A Propaganda Subversiva e o Estado Novo

IV-             A lógica da Desconfiança

V-                O “Papel” dos Boletins

VI-             Os Mecanismos dos Boletins: Impressão, Distribuição e Recepção
VII-           Conclusão

 

Cronograma de Trabalho

 

 

 

Meses

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

Levantamento Bibliográfico

X

 

 

X

 

 

 

X

 

 

 

 

Leitura da Bibliografia

 

X

X

 

X

 

X

 

X

X

 

 

Pesquisa em prontuários

X

X

X

 

 

 

X

X

X

X

 

 

Pesquisa em outros acervos

 

 

X

 

 

 

 

X

 

 

 

 

Busca em outras bibliotecas

 

 

 

X

 

 

 

 

 

X

 

 

Relatórios

 

 

 

 

 

X

 

 

 

 

 

X

 

 

 

 

 

 

Bibliografia Consultada

FAUSTO, Boris. A Revolução de 30. São Paulo, Ed. Companhia das Letras, 1998.

MOLES, Abraham. O Cartaz. São Paulo. Ed. Perspectiva, 1974.

DARNTON, R. Edição e Sedição. São Paulo. Companhia das Letras, 1992.

ZELIA, Lopes da Silva. A Domesticação dos Trabalhadores nos anos 30. São Paulo. Marco Zero, 1990.

CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Livros Proibidos, Idéias Malditas. São Paulo, Ed. Estação Liberdade, 1997.

FERREIRA, Maria Nazareth. Imprensa Operária no Brasil. São Paulo, Ática, Série Princípios, 1988.

 

Bibliografia Mínima a Consultar

APOLÔNIO, L. Manual de Polícia Política e Social. São Paulo, Escola de Polícia, 1958.

AQUINO, M. A. Censura, Imprensa e Estado Autoritário no Brasil. Tese de Doutorado em História Social. Deptº  de História/FFLCH/USP, 1990.

CANCELLI, E. O Mundo da Violência: A Polícia na Era Vargas. Brasília, EUNB, 1993.

CHARTIER, R. Práticas da  Leitura. São Paulo, Estação Liberdade, 1996.

CARONE, Edgard. Movimento Operário no Brasil (1877-1944). São Paulo/Rio de Janeiro, Difel, 1979.

 

DECCA, Edgar de. O Silêncio dos Vencidos. São Paulo, Brasiliense, 1981.

MACHADO, J.A.P. Censura e Liberdade de Imprensa. São Paulo, COM-Arte, 1984.

MOMESSO, Luis. A Importância da Imprensa nos Sindicatos. in Debate Sindical, nº 1, maio de 1986.



[1] Silva, Zélia Lopes da. A Domesticação dos Trabalhadores nos Anos 30.  1ª ed. São Paulo. Editora Marco Zero, 1990.

[2] DEOPS, Prontuário nº 1110, volumes de 01 a 10. Propaganda Comunista. Arquivo do Estado, São Paulo.

[3] DEOPS, Prontuário Nº 1110. Propaganda Comunista, Vol. 04, Doc. 13. Aos Operários Empregados e Empreiteiros da Fazenda Refinadora Paulista. Não consta data. Arquivo do Estado. São Paulo.

[4] DEOPS, Prontuário Nº 1110, Propaganda Comunista, Vol. 04, Doc. 03. Aos Trabalhadores do Frigorífico ARMOUR. Federação da Juventude Comunista, 28 de Julho de 1934.  Arquivo do Estado, São Paulo.

[5] DEOPS, Prontuário Nº 2601, Fábrica Klabin, Doc. 07. Aos trabalhadores da fábrica Klabin. Não consta data. Arquivo do Estado, São Paulo.

[6] Passeti, Gabriel. PROJETO DE PESQUISA:OS INTELECTUAIS E A IMPRENSA OPERÁRIA EM SÃO PAULO A PARTIR DO OLHAR DA POLÍCIA POLÍTICA. (ARQUIVO DEOPS-SP).

 

[7] Carneiro, Maria Luiza Tucci. Livros Proibidos, Idéias Malditas. São Paulo, 1ª Ed., Editora Estação Liberdade. 1997.

[8]   Darnton, R. Edição e Sedição. São Paulo, Cia das Letras, 1995.





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A Revolução de 1930,
de Boris Fausto
Livros proibidos, idéias
malditas
, de Maria Luiza
Tucci Carneiro
Classes sociais e
movimento operário
,
de Edgard Carone
Práticas da leitura, de
Roger Chartier



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