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És tu, Brasil,
Ó pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
 

II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao Sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques tem mais vida,"
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!
 

Ao ler a letra deste hino, podemos perceber que ele não tem a clareza necessária para passar as informações e ideologia que ele julga ser de se sua obrigação pois o seu vocabulário é extremamente complexo e com palavras de difícil compreensão e pronunciação.

Em alguns momentos, a letra do hino faz com a sua leitura ou canto se torne travada e incompreensível: "Brasil, um sonho intenso, um raio vívido", "Se em teu formoso céu, risonho e límpido", "Fulguras, ó Brasil, florão da América", " 'Nossa vida' no teu seio 'mais amores' "; "O lábaro que ostentas estrelado" e "E diga verde-louro desta flâmula".

Tais versos mostram claramente o pouco interesse do autor do hino em fazer uma letra pronunciável e de fácil compreensão e memorização, diferentemente da maioria dos outros hinos nacionais. "A Marselhesa", hino francês, era o canto de guerra dos soldados da cidade de Marselha durante a Revolução Francesa. Mesmo quem não é francês conhece os famosos versos "Allons enfants de la patrie (À frente filhos da pátria)".

Por ser uma letra criada especificamente para ser um hino, não houve uma preocupação na facilidade de reprodução deste. Com isso, criou-se um fenômeno até hoje criticado intensamente pelos setores conservadores da sociedade, que afirmam que "o povo brasileiro não é patriótico, nem sabe o seu hino!".

Pensamos que isto não é verdade, o povo brasileiro é extremamente patriótico. Basta que se repare nas demonstrações disto no dia-a-dia. Você não passa um dia sequer sem ver alguém na rua sem uma roupa com um símbolo nacional. Não necessariamente a camisa da seleção brasileira de futebol, e sim camisas, biquinis, bonés, chinélos, adesivos, etc com a bandeira nacional.

Podemos também pensar com relação aos "heróis nacionais". Ayrton Senna, Tom Jobim e mais recentemente o tenista Gustavo Kuerten. Não que estes personagens não tenham sido utilizados como manipulação de massas. Estamos discutindo aqui a paixão do brasileiro por representações de seu país. Quem não fica indignado quando ouve um estrangeiro falando que "o Brasil é o país do futebol, do café, da Amazônia e das mulatas (e da prostituição infantil, da miséria, das favelas...)"?

O hino vai na contra-mão deste sentimento, dificultando a exacerbação deste nacionalismo brasileiro.

Inicialmente, faremos uma "tradução" dos versos "incompreensíveis" deste hino, com definições do Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa:

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
Plácidas: serenas, tranqüilas

De um povo heróico o brado retumbante
Brado: grito
Retumbante: que retumba, refletir ou repetir com estrondo

E o Sol da liberdade, em raios fúlgidos
Fúlgidos: brilhantes

Se o penhor desta igualdade
Penhor: garantia, prova

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
Vívido: luminoso, brilhante

Se em teu formoso céu, risonho e límpido
Límpido: claro

A imagem do Cruzeiro resplandece
Resplandece: brilha

És belo, és forte, impávido colosso
Impávido: destemido
Colosso: agigantado, descomunal

Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Fulguras: brilha
Florão: Objeto circular, em forma de flor, em uma abóbada

Do que a terra mais garrida
Garrida: (incógnita - encontrou-se somente a definição de sineta, pequeno sino)

O lábaro que ostentas estrelado,
Lábaro: estandarte dos exércitos romanos
Ostentas: mostrar, exibir

E diga o verde-louro dessa flâmula
Flâmula: bandeira estreita

Mas, se ergues da justiça a clava forte
Clava: pau pesado, utilizado como arma
 

Foram dezesseis palavras de difícil compreensão encontradas no texto analisado, o que comprova o que havíamos afirmado anteriormente: a letra do hino é de difícil compreensão. Fora isso, podemos perceber quatro sinônimos do verbo brilhar (fúlgidos, vívidos, resplandece, fulguras), que já é utilizado uma vez (brilhou).

São encontradas duas duplas de versos redundantes: "E o Sol da liberdade, em raios fúlgidos/Brilhou", ou seja, "os raios brilhantes brilharam". "Gigante pela própria natureza/És belo, és forte, impávido colosso", ou seja: "gigante pela própria natureza, és belo, és forte, gigante destemido".

Partiremos agora para a análise dos versos que pensamos que sejam incorretos historicamente. Devemos considerar que é um hino oficial e que este tem como objetivo esconder os defeitos históricos do país.

Em "E o Sol da liberdade" e "Em teu seio, ó liberdade", podemos achar o primeiro erro. Desde o seu processo de "independência", ou melhor, "emancipação", o Brasil sempre esteve vinculado diretamente a uma ou mais potências estrangeiras principalmente a partir da dívida externa. Esta já foi acumulada no primeiro dia de sua existência como Nação independente politicamente, devido ao pagamento de uma "indenização" a Portugal.

"Se o penhor desta igualdade/Conseguimos conquistar com braço forte" apresenta-nos dois erros. Em "Se o penhor desta igualdade" podemos contestar a igualdade proposta. Até os nossos dias o país é criticado pela sua desigualdade social, que era ainda maior na época em que a letra foi escrita. O mesmo erro é apresentado em "Mas, se ergues da justiça a clava forte". A justiça no Brasil é também criticada até hoje pela sua ineficiência, lerdeza e parcialidade.

"Conseguimos conquistar com braço forte" nos mostra outro erro. O chamado processo de independência foi muito mais pacífico do que os das outras colônias, inglesas ou espanholas por exemplo. Somente ocorreram uns poucos conflitos no Norte e Nordeste - mais relacionados com Lisboa do que com o Rio de Janeiro - e levantes sociais motivados principalmente por ideais separatistas.

"Gigante pela própria natureza/És belo, és forte, impávido colosso" e "Fulguras, ó Brasil, florão da América" mostram um ideal de não fragmentação do território e de se formar uma nova potência no chamado "Novo Mundo".

"Glória no passado". Glória no passado?!

Podemos encerrar concluindo que por ser um hino oficial, ele deve engrandecer o país, mostrando sua grandeza, imponência, força e união. Todos os hinos buscam este ideal, mas o hino brasileiro é uma exceção, (assim como o país também foi uma exceção na sua "independência", mantendo o mesmo regime anterior e com o herdeiro deste regime) por ter sido criado por encomenda, passa as idéias ainda mais dificilmente.

Devemos também considerar a dificuldade da letra porque ela foi escrita durante o momento maior dos movimentos positivista e romântico. Isto também se vê claramente expresso no hino nacional brasileiro.

O hino é pouco conhecido em sua totalidade, por sua complexidade e dificuldade. Todos nós sabemos que o brasileiro (principalmente o homem) só aprende, ou decora o hino nacional durante as Copas do Mundo de futebol e no juramento obrigatório da Bandeira brasileira nas Forças Armadas. Qual é a utilidade disto?

Os hinos nacionais atualmente não tem mais muita utilidade. Querendo ou não, o mundo está cada vez mais "globalizado", onde o conceito de "país" está ficando cada vez mais perdido no ar. Os países estão se unindo em blocos econômicos que em mais menos ou menos tempo deverão suprir as próprias fronteiras territoriais dos seus integrantes. O mesmo processo ocorreu em épocas diferentes em todos os países europeus, que eram um aglomerado de pequenos reinos, feudos ou repúblicas e se uniram para ficarem fortes economicamente.

Neste momento de unificação, os símbolos de cada integrante do novo país foram desaparecendo com o tempo, por não fazerem mais sentido. Passaram a ser utilizados - em alguns locais até hoje - somente por aqueles que ainda cultivam um passado remoto, como é o caso de certos brasões medievais. Em geral, tais simbologias desapareceram.

Existem muitas características nacionais que não serão perdidas com o tempo, outras serão. Mas isto é um processo que vemos em toda a história, sem retorno. Os hinos estão fadados a acabar, tanto que somente os vemos em momentos de intensa nacionalidade como as "festividades" dos "500 anos", em eventos esportivos como jogos internacionais de futebol, Olimpíadas, corridas de F-1 ou em atividades governamentais e das forças armadas. Seu ciclo de instrumento de união contra uma sempre provável desagregação já se encerrou. Não se vê mais utilidade em tais elementos retrógrados, apêndice de um passado que só é cultivado pelos setores tradicionais da sociedade.

O confuso, incompreensível e velho hino brasileiro será mais cedo ou mais tarde trocado pelo símbolo de uma nova ordem. Não sabemos o que ocorrerá a curto, médio ou longo prazo, é impossível prevermos que simbologia, e de que, surgirá, mas os hinos estão fadados ao seu fim. Ainda bem.