A Imprensa e Fernando Collor

A convergência entre o Moderno e o Arcaico (1987-1988)


Valter Pereira
valvincit@yahoo.com.br

 

            Em meio a discussões sobre a duração do mandato presidencial e a melhor forma de governo para o país: presidencialismo ou parlamentarismo, no dia 3 de junho de 1987 a Revista Veja publicou, na seção Comportamento, uma matéria com o título: “A cara do poder”1. Essa matéria trazia o perfil do presidente ideal apontado numa pesquisa realizada entre 230 brasileiros. Entre outras características, essa pesquisa apontou que, de maneira geral, as pessoas pesquisadas ansiavam por um presidente de meia-idade, branco, que usasse trajes sociais, casado com uma esposa de meia-idade e, para corroborar o insucesso de Fernando Henrique Cardoso na campanha para a prefeitura de São Paulo em 1985 ao afirmar que era ateu, 77,5% das pessoas desejavam um presidente religioso.

            Podemos dizer que Fernando Afonso Collor de Melo, além de preencher esses requisitos, durante seu precoce mandato, superou alguns tabus. Quando eleito Fernando Collor tinha 40 anos de idade, sendo o mais jovem presidente da história no Brasil. Além disso, foi o primeiro presidente brasileiro a sofrer um processo de impeachment2.


           
Sua carreira política iniciou-se em 1983, quando foi eleito deputado federal pelo estado de Alagoas. Em 1987 foi eleito governador daquele estado, abandonando seu cargo para concorrer à presidência em 1989. Quando ainda era deputado federal Fernando Collor apresentou 11 projetos de lei, porém não obteve aprovação de nenhum deles. Um desses projetos previa a redução do imposto de renda para as emissoras de rádio e televisão, tendo em vista que sua família era proprietária de empresas desse segmento3.


           
Era muito recente no Brasil o fim do regime militar que perdurou por aqui durante cerca de 20 anos. Além da presença ainda próxima da ditadura militar, a presença de José Sarney na presidência da República causava um certo desconforto, pois este não fora eleito para o cargo e sim havia assumido o lugar de Tancredo Neves que era uma figura carismática e a quem fora atribuída a missão de reorganizar o país política e economicamente.


           
A figura de Fernando Collor surgiu na imprensa brasileira como sendo um novo fôlego na economia do país e uma nova esperança na tentativa de reconstrução de uma nação com uma inflação a níveis elevadíssimos.


           
A primeira vez, em 1987, que Fernando Collor é citado na Revista Veja, acontece numa matéria no dia 11 de março que tem como título: “Casa da Fortuna”4. O texto fala sobre o então governador de Alagoas, José Tavares do PFL, que deixaria o governo do estado de Alagoas no domingo seguinte e iria acumular aposentadorias. A matéria retrata José Tavares como um “marajá” e ainda traz a informação de que ele estava deixando o governo do estado de Alagoas com cerca de 80% da população recebendo menos de um salário mínimo. Referindo-se aos altos salários de funcionários públicos, por ele alcunhados de marajás, Fernando Collor, ainda nessa matéria, diz: “Uma das minhas prioridades é acabar com esse escândalo”.


           
Já nessa primeira matéria em que é citado, Fernando Collor é retratado por Veja como ousado e audacioso, pois para resolver o problema dos altos salários do funcionalismo público alagoano, Fernando Collor “pediu socorro ao ministro Aluízio Alves, da Administração, antes mesmo de assumir o governo”.           


           
A imagem de Fernando Collor, desde então, revela-se como sendo um sujeito audacioso e de grande ousadia, pois ainda não havia assumido o maior cargo executivo dentro do estado de Alagoas e já estava disposto a ir até as últimas conseqüências para sanar o problema do gasto daquele estado com os altos salários e com benefícios demasiadamente “imorais”.                    


           
Ao longo dos anos 1987 e 1988 a imagem de Fernando Collor de Melo transmitida a nós pela Revista Veja, foi a de um sujeito extremamente corajoso e ousado. Era recorrente a publicação de imagens suas mostrando-o disposto a extinguir os “marajás” e acabar com a corrupção no país.


           
Porém essa imagem de ousado e audacioso, que podemos encontrar nas páginas de Veja, em Notícias do Planalto – livro de Mário Sergio Conti – é tratada de uma forma ambígua:


Enquanto buscava o cenário nacional com a cartada mobilizadora, no plano estadual Collor jogava uma partida arriscada. A liminar que obtivera do Supremo Tribunal Federal suspendia o pagamento de privilégios salariais aos desembargadores do Tribunal de Justiça. Para evitar atritos jurídicos, o governador autorizou que se pagassem na íntegra os salários dos desembargadores, com a condição de que não divulgassem o acordo
5.


            
Fernando Collor pertencia a uma família com tradição na participação política. Seu pai, Arnon de Mello, fora senador pelo estado de Alagoas e levou consigo, para o Senado, a violência típica da política nordestina quando em 1960, por engano, baleou um ex-senador, que estava de visita ao plenário do Senado, tentando acertar um senador que era seu desafeto. Essa era a política do coronelismo, que se enraizou no Brasil com a proclamação da República, em 1889, e que perdurou até meados da década de 1945.


           
Na região Nordeste, ao contrário da região Sudeste, essa prática não pereceu com a posse de Getúlio Vargas. No Nordeste brasileiro o uso da coação como meio de convencimento tornara-se prática habitual. Enquanto isso na região Sudeste a política utilizava meios mais eficazes e mais “politicamente corretos” para atingir esse mesmo fim. A maneira mais forte e mais eficaz de atingir esse objetivo era a mídia.


           
Fernando Collor surge como um elo de ligação entre essas duas visões. Passara a maior parte de sua vida escolar longe de Alagoas. Sua juventude, em grande parte, foi vivenciada tanto no Rio de Janeiro como em Brasília. Apesar de fazer parte de uma tradicional família da oligarquia nordestina, Collor flertava, desde a juventude, com a nova forma de fazer política. Essa aliança entre o “velho” (representado pela forma tradicional de fazer política das famílias nordestinas, entre elas a família Collor de Melo) e o “novo” (marcado pela utilização da comunicação de massa para fazer política) é o que faz surgir a figura de Fernando Collor de Mello como sendo o candidato ideal para ocupar o maior posto do Executivo brasileiro. Esses fatores fazem surgir em Fernando Collor uma dissociação de identidades que parecem incompatíveis, porém, com o passar do tempo, essas duas vertentes ideológicas, que aparentemente são totalmente distintas, convergem-se formando a imagem de um candidato perfeito. Fernando Collor encarnava toda a herança política das oligarquias nordestinas representadas pelos coronéis do interior. Ao ocupar o cargo de governador do estado de Alagoas fizera um acordo com os usineiros locais fornecendo subsídios tributários por uma década. Em decorrência desse ato os usineiros, que eram responsáveis pela arrecadação de 63% de toda a carga tributária do estado, passaram a contribuir com apenas 3%.


                 O Brasil herdara da colonização portuguesa a tradição de Dom Sebastião. Este houvera desaparecido no norte da África, durante um combate, em 1578 e os portugueses acreditavam que aconteceria seu retorno. Collor utilizou sua campanha para transmitir a imagem de um novo “messias”, que, assim como no sebastianismo português, “era o milagreiro que varreria a corrupção, a ineficiência e uma economia arcaica”6. Economia esta que já estava abalada desde a crise da crise da dívida externa de 1982.


            
A desigualdade social aumentava cada vez mais enquanto o crescimento do país não atingia os níveis esperados. Neste contexto o Brasil era detentor da maior dívida externa do mundo e a inflação atingia cerca de 100% ao mês.



Representação de D. Sebastião criança

      
           
No dia posterior a sua posse, Collor adota uma medida para tentar equacionar a crise da economia brasileira. Em 16/03/1990 Collor anuncia o bloqueio da liquidez da maior parte dos haveres financeiros. Por dezoito meses estavam bloqueadas as contas correntes e as cadernetas de poupança que possuíssem saldo superior a cinqüenta mil cruzeiros. Essa medida, inicialmente, causa um impacto na economia e uma queda considerável da inflação, porém, após seis meses, a inflação recupera seu fôlego.


           
O objetivo de Collor com essa medida seria o controle da ordem. Ricardo Antunes (professor da Unicamp) faz uma analogia da figura de Fernando Collor com a figura de Luis Napoleão Bonaparte justamente no que tange a preservação da ordem existente. Segundo Ricardo Antunes no modelo de política bonapartista, que, segundo ele, Fernando Collor é o principal representante desse estereótipo no Brasil, “os interesses gerais da ordem são sempre prevalecentes, mesmo quando, em alguns aspectos contingenciais, os setores dominantes são atingidos”7. Essa similitude entre Fernando Collor e o bonapartismo, citada amiúde por Ricardo Antunes, cessa quando chegamos ao setor social. Enquanto Luis Bonaparte enfrentou uma série de entraves no setor social num país de Primeiro Mundo, Fernando Collor herdou uma crise social muito mais grave e intensa: escassos investimentos nos setores público e privado, dívida interna em plena escalada, além de deter a maior dívida externa do planeta.


           
Outra analogia que podemos traçar entre os perfis de Luis Napoleão Bonaparte e Fernando Collor de Melo se refere ao fato de que na França de 1847, às vésperas da eleição de Luís Napoleão Bonaparte como chefe do Estado francês,  a população alimentava um sentimento de insatisfação e indignação, pois se via em meio a um governo corrupto do rei Luis Filipe. No Brasil essa indignação se devia ao fato de que o governo Sarney era palco de um período de crise econômica onde a inflação atingia níveis altíssimos e o índice de desemprego subia desenfreadamente.


           
Luís Napoleão fez de seu sobrenome sua maior arma para a campanha das eleições de 1848. O simples fato de ter o sobrenome Bonaparte já o fazia ser um fortíssimo candidato.


           
Já Fernando Collor, como seu nome ainda não fosse conhecido nacionalmente, utilizou a comunicação de massa para fazer sua imagem e seu nome atingirem todo o território brasileiro.


           
Além de ter sua imagem atrelada a idéia de audacioso e ousado, Fernando Collor contava com o apoio tácito da opinião pública brasileira que estava descontente com o governo Sarney. Por meio da mídia podíamos notar a insatisfação de grande parte da população. A Revista Veja freqüentemente veiculava matérias que mostravam o descontentamento de todos com a situação política do Brasil. Em sua edição de 07/01/1987 Veja publicou uma matéria com o título “Febre Selvagem”8. O texto aborda a onda linchamentos que ocorriam no país na ocasião. Diz: “...transforma cidadãos pacatos em criminosos e ressalta o descrédito popular na polícia e na lei”. É possível notar, segundo o artigo, a falta de credibilidade do governo e das instituições políticas como um todo. Nesta mesma edição, Veja, na seção ‘Economia & Negócios’ traz um artigo com o título “Votos de infeliz 1987”9. O texto trata do aumento do imposto de renda, promovido pelo governo, e que, de forma direta, “morde a classe média”.


           
Se por um lado, no artigo que aborda os linchamentos ocorridos no país, a classe envolvida, segundo Veja, é a classe baixa da população, no artigo que trata do aumento da alíquota do imposto de renda a classe envolvida e prejudicada é a classe média. Portanto podemos notar o descontentamento, segundo Veja, de setores e classes sociais distintas. Desde os setores mais abastados até as camadas mais populares o governo Sarney é mostrado como o principal culpado das moléstias econômicas e sociais que afligiam a sociedade brasileira.


           
Outro setor de grande relevância para a economia nacional, e que constantemente era retratado com uma imagem de insatisfação para com o governo do presidente José Sarney era o setor agrícola. Na edição de 18/02/1987, Veja tanto mostra a relevância desse setor para a economia do país como mostra sua insatisfação com o governo. A matéria “Sob o signo da abundância”10 mostra que o estado do Rio Grande do Sul havia tido a maior safra de soja de toda a história. Já no artigo “O campo mostra os dentes para o governo”11, podemos notar a grande insatisfação de pecuaristas e agricultores com a política econômica brasileira. Nesta mesma edição há uma matéria que mostra como os juros estão afetando outros setores da economia. No artigo “Primeiras Baixas”12, Veja retrata a difícil situação que algumas corretoras cariocas de valores estavam passando devido à alta dos juros.      


           
A impopularidade do presidente José Sarney e a crise econômica pela qual passava o país foram os principais motivos de rejeição de sua imagem como político.


           
Por outro lado, Fernando Collor tinha sua imagem cada vez mais popular. Além de contar com a fama de corajoso, pois decidira por não pagar altos salários aos “marajás”, Collor possuía outros pontos a seu favor. Em matéria de 04/03/1987, Veja traz um quadro que mostrava o valor total dos débitos dos bancos estaduais para com o Banco Central. O Banco que tinha o maior débito era o Baner (RJ) e a instituição que apresentava um dos menores débitos era o Produban (AL)13. Entre as instituições bancárias do nordeste o Produban, do estado de Alagoas, era a que detinha a menor dívida com o Banco Central. Isso denotava competência administrativa e independência financeira.


            Além de sua impopularidade, Sarney também contava com o medo da população. Esse medo se devia ao fato do recente término do regime militar. Havia um temor implícito nas pessoas de que retornasse o período em que o país foi comandado por generais militares. A proximidade entre o presidente Sarney e as forças armadas causava um certo desconforto na sociedade.

           Em matéria publicada em 18/03/1987, Veja, de certa forma, externa esse temor da população. Em matéria intitulada “O aviso dos tanques”14, Veja retrata a atuação do Exército brasileiro na repressão de movimentos grevistas pelo país. O general Leônidas Pires Gonçalves, ministro do Exército, é retratado como homem-forte do governo Sarney. Nesta mesma edição há uma matéria com o título “O grito do porão”15 que fala sobre o lançamento do livro Rompendo o Silêncio do major Carlos Alberto Brilhante Ulstra, que comandou o DOI-CODI entre 1970 e 1974. Podemos destacar que essa proximidade entre governo e Exército, retratada constantemente por Veja, fora um dos fatores determinantes da queda da popularidade do governo Sarney e da conseqüente construção de uma imagem negativa a seu respeito.


           
Essa aproximação entre governo e Exército é notada numa edição de Veja de 01/04/1987. No aniversário de 23 anos do golpe de 1964, Veja publicou uma matéria com o título “Porão de Estrelas”16 que dizia que o presidente “José Sarney promoveria ao posto de general-de-brigada o então coronel Nilton de Albuquerque Cerqueira, ex-comandante do DOI-CODI de Salvador e líder da operação que resultou na morte do chefe terrorista Carlos Lamarca, em 1971”.


           
Em sua edição de 08/04/1987, Veja, mais uma vez, retrata o medo e a insegurança da população mediante a um “possível” golpe militar, repetindo 1964. Com o título “Um golpe de ar frio”, Veja explicita todo temor das pessoas neste artigo. Diz a matéria: “Na semana do aniversário da falecida Revolução de 64, o regime civil foi visitado por um fantasma, o dos militares contra a desordem”17. Devido às diversas greves que ocorriam no país, o governo decidiu reagir fazendo uso do poder militar. A intervenção militar era prática comum do governo Sarney para coibir as greves e as manifestações de insatisfação com o governo.


           
Era cada vez mais comum Veja veicular matérias que tinham como base a crítica ao governo Sarney e a participação, cada vez mais efetiva, do Exército em seu governo. Em sua edição de 15/04/1987, Veja publica a matéria que talvez tenha causado o maior desconforto na população. O artigo “Golpe de papel” trazia uma denúncia do coronel de reserva Joaquim Leite de Almeida que dizia que seria deflagrado um levante em 01/04, após a missa de 31/03 em comemoração  à Revolução de 1964. Só não houvera o golpe, pois perecera a greve dos bancários e, conseqüentemente, cessara o clima de confusão. Apesar de algumas figuras políticas como Rita Camata, então deputada, e Ivan de Souza Mendes, então ministro-chefe do SNI, rechaçarem o golpe, Veja diz: “A história de Almeida tem uma costura bem acaba nos detalhes”18. Em matéria que recebeu o título de “Apoio de mão dupla”, publicada em sua edição de 13/05/198719, Veja retrata a efetiva participação do Exército no governo do presidente Sarney. Leônidas Pires, então ministro do Exército, teria aconselhado o presidente Sarney a tomar medidas mais duras, principalmente com relação a movimentos grevistas.


            No final do mês de junho de 1987, o presidente Sarney sofrera na pele a maior manifestação de insatisfação da população contra seu governo. Em visita à cidade do Rio de Janeiro, além de receber inúmeros insultos e vaias, seu ônibus fora apedrejado por populares. A indignação e a insatisfação da população para com o governo se tornara preocupante para o presidente. Ele então tomou medidas de segurança pessoal pra se precaver.  Em sua edição de 08/07/198720, Veja traz uma imagem da catedral de Brasília envolta por soldados do Exército. Dentro da catedral estava o presidente Sarney que assistia a uma missa pela Páscoa dos militares. A imagem de um governo submisso ao Exército e coagido pela população, é a imagem que a revista Veja nos transmitira com a publicação de seus artigos, e de suas imagens.



           
Enquanto a figura do presidente José Sarney sofria um processo de estiolamento, a imagem de Fernando Collor, aos poucos, ia sendo construída. Collor passava a imagem de um político corajoso e diferente de seus colegas de carreira. Assumira o governo de Alagoas com a promessa de findar com altos salários de funcionários públicos. Podemos identificar isso na edição de 05/08/1987 de Veja, onde, no artigo intitulado de “Palavras ao Vento”, a revista traz as promessas e as realizações dos governos estaduais no Brasil. O texto dá maior ênfase ao problema de funcionários públicos ganhando altos salários. O artigo enfoca dois governadores da região Nordeste quando diz que:


 
“No fim das contas, porém, apenas uns poucos, como Fernando Collor de Melo, em Alagoas, e Waldir Pires, na Bahia, tiveram um desempenho bem visível nesse campo. Pires livrou-se de 5.700 dos 245.000 que encontrou ao assumir o governo e Collor reduziu em 10.000 os 72.000 nomes que freqüentavam a lista de pagamentos do Estado”
21.


            Para percebermos a dimensão que tal fato abrangia em território nacional basta notarmos que a revista semanal de maior circulação no país (Veja), em sua edição seguinte, 12/08/1987, aborda novamente, agora com matéria de capa, o tema dos “marajás”. Para a sociedade brasileira aqueles altos salários eram um afronta à opinião pública de um país detentor de uma das maiores desigualdades no mundo. Com o título “A praga dos marajás” na capa, Veja traz matéria denunciando e condenando essa prática. Segundo informações da revista, alguns “marajás” chegavam a faturar mensalmente 700.000 cruzados22.

            Em sua edição de 02/09/1987, Veja publicara uma matéria com o título de “Bolsões da Fartura”. Essa matéria fala dos ‘truques’ de congressistas para morarem de graça em Brasília à custa do contribuinte23.

            Veja traz em sua edição de 09/12/1987 um artigo com o título “O risco do desafio”. Diz: “O governador de Alagoas perde a batalha contra os altos salários e contesta a decisão do STF”. O Supremo Tribunal Federal houvera negado o pedido de Fernando Collor que desejava dar fim ao pagamento de altos salários a funcionários públicos24. Ao mesmo tempo em que mostra o problema, ou seja, os altos salários no funcionalismo estatal, Veja traz a solução: o então governador de Alagoas e futuro presidente do Brasil, Fernando Afonso Collor de Melo.




Notas:

  1 Veja. A cara do poder. 3 jun. 1987. p. 77.

  2 Antes da finalização do processo, Fernando Collor renunciou ao seu mandato presidencial.

  3 http://www.cpdoc.fgv.br/dhbb/verbetes_htm/1418_1.asp

  4  Veja. Casa da fortuna. 11 mar. 1987. p. 39.

  5 CONTI, Mário Sérgio. Notícias do Planalto. São Paulo, Companhia das Letras, 1999, p. 67.

  6  SKIDMORE, Thomas. A queda de Collor: uma perspectiva histórica, In: Corrupção e reforma política no Brasil, FGV,1999, p.27.

  7 ANTUNES, Ricardo. A desertificação neoliberal no Brasil. São Paulo, Autores Associados, 2004, p. 8.

  8 Veja. Febre Selvagem. 07 jan. 1987. p. 22.

  9 Veja. Votos de infeliz 1987. 07 jan. 1987. p. 70.

10 Veja. Sob o signo da abundância. 18 fev. 1987. p. 24.

11 Veja. O campo mostra os dentes para o governo. 18 fev. 1987. p. 20.

12 Veja. Primeiras Baixas . 18 fev. 1987. p. 110.

13 Veja. Barrados no Baile. 04 mar. 1987. p. 65.

14 Veja. O Aviso dos Tanques. 18 mar. 1987. p. 20.

15 Veja. O grito do porão. 18 mar. 1987. p. 28.

16 Veja. Porão de Estrelas. 01 abr. 1987. p. 30.

17 Veja. Um golpe de ar frio. 08 abr. 1987. p. 20.

18 Veja. Golpe de papel. 15 abr. 1987. p. 89.

19 Veja. Apoio de mão dupla. 13 mai. 1987. p. 28.

20 Veja. O escudo de Sarney. 08 jul. 1987. p. 35.

21 Veja. Palavras ao Vento. 05 ago. 1987. p. 20.

22 Veja. Ilha da Felicidade. 12 ago. 1987. p. 22.

23 Veja. Bolsões da Fartura. 02 set. 1987. p. 28.

24 Veja. O risco do desafio. 09 dez. 1987. p. 45.

 



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