Ciência Dândi?
Por uma ciência socialmente comprometida*
Rodrigo da Silva
3º Ano - História/USP
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"Artigo XXVI - 1-Toda pessoa tem direito à instrução.

Artigo XXVII - 1-Toda pessoa tem direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios."

Declaração Universal dos Direitos Humanos
 
 
 

ONU 10/12/1948


Crianças em Angola, condições de 3º Mundo
 


Vista aérea de Nova York, EUA, "exemplo de país"

Em 1996 a Comissão Internacional pela Educação da UNESCO, órgão das Nações Unidas responsável pelos assuntos referentes à educação e cultura, divulgou um relatório que desenhava um quadro mundial sobre a educação. O documento ficou conhecido como "Relatório Delors" devido ao nome de seu coordenador Jacques Delors (ex-ministro da economia e das finanças da França e presidente da Comissão Européia entre os anos de 1985 e 1995) e carregava o título de "Educação: Um tesouro a descobrir".

O relatório trazia diversas informações sobre a educação, sobretudo a fundamental e média, nas mais diversas regiões do mundo. Era o documento mais completo sobre educação elaborado até então. Nele a educação foi radiografada e a partir daí demonstradas as valas educacionais, não somente nos países em desenvolvimento (ou se preferirem no Terceiro Mundo) mas também nas regiões mais ricas do planeta, e os caminhos a se seguir. Refletiu-se sobre os desafios educacionais para o novo século, ou seja, como resolver equações produzidas pelo desenvolvimento desigual das habilidades humanas, dos grupos sociais, das regiões, etc. Talvez a maior dificuldade enfrentada pelos membros da comissão, educadores das mais variadas regiões do planeta e especialista em política educacional, tenha sido a de, apesar das disparidades entre os países estudados, elaborar um relatório que contivesse propostas globais e apontasse demandas igualmente comuns. Algumas das conclusões são de extremo interesse e vale arrola-las.

Nossa sociedade, segundo a UNESCO, produziu "déficits" educacionais, leia-se dicotomias.

A educação pode ser dividida em três grupos: a educação formal, a educação informal e a educação não-formal. 

Por educação formal entende-se as instituições de ensino clássicas, ou seja, escolas e universidades. Educação informal, por sua vez, é aquela que a criança e o jovem adquire no contato com a família, com os amigos e no trato com os grupos dos quais se faz parte. Por fim existe a educação não-formal que engloba grupos de jovens, movimentos juvenis, clubes, instituições esportivas e artísticas. Vale lembrar antes de avançarmos que educação não significa ensino.

No processo de desenvolvimento de nossa sociedade, a família deixou de ensinar. Pais cada vez mais ausentes devido ao processo de emancipação feminina, da queda do valor real dos salários e do crescente grau de competição profissional. Logo, restou pouco tempo para a educação dos filhos. Este mesmo processo levou a uma crescente independência do jovem sem ser esta acompanhada da autonomia necessária. A escola por sua vez, diante de um conteúdo cada vez maior de informações a transmitir, teve de deixar de educar para ensinar mais.

Ao mesmo tempo o desenvolvimento de uma sociedade capitalista, compulsiva e consumista (ou consumista reprimida) passou a divulgar amplamente o preço das coisas sem jamais comunicar o valor das mesmas.

Assim nos vemos diante de um painel que apresenta dicotomias entre preço e valor, educação e ensino e entre autonomia e independência.

Este mesmo relatório trazia as demandas no campo educacional, quatro pilares nos quais deveria se fundamentar a educação para o próximo século e que nos habilitariam a enfrentar o desafio de construir uma sociedade justa, fraterna e em liberdade: aprender a aprender, aprender a fazer, aprender a ser e aprender a conviver.

Educação continuada, educação para a liberdade, educação para a igualdade, educação para a democracia, educação para a cidadania.

Em nenhum momento se falou em conteúdo, em nenhum momento se falou em déficit científico ou intelectual. Em um mundo em tempo real, no qual todo conhecimento é posto em xeque, o conteúdo é o que menos importa se desvinculado das demandas relacionadas.
 


CANÇÃO PARA OS FONEMAS DA ALEGRIA

(...)
Peço licença para soletrar,
no alfabeto do sol pernambucano
a palavra ti-jo-lo, por exemplo,

e pode ver que dentro dela vivem
paredes, aconchegos e janelas,
e descobrir que todos os fonemas

são mágicos sinais que vão se abrindo
constelação de girassóis gerando
em círculos de amor que de repente
estalam como flor no chão da casa.

Às vezes nem há casa: é só o chão.
Mas sobre o chão quem reina agora é um homem
diferente, que acaba de nascer:

porque unindo pedaços de palavras
aos poucos vai unindo argila e orvalho,
tristeza e pão, cambão e beija-flor,

e acaba por unir a própria vida
no seu peito partida e repartida
quando afinal descobre num clarão

que o mundo é seu também, que o seu trabalho
não é a pena paga por ser homem,
mas o modo de amar - e de ajudar

o mundo a ser melhor.
(...)

(Fragmento de poema de Thiago de Mello dedicado a Paulo Freire)


No ano de 300 a.C. um homem de nome Eratóstenes ocupava o cargo de bibliotecário chefe da grande biblioteca de Alexandria. Eratóstenes era um cientista de atuação bastante ampla: astrônomo, matemático, físico, historiador.

Certo dia, ao ler um dos pergaminhos contidos na biblioteca, Eratóstenes encontrou um relato que lhe pareceu deveras interessante. Nele o autor narrava o seguinte fato:

"Bem ao sul, no posto de fronteira de Syene, no dia mais longo do ano algo de notável acontecia. Em 21 de Junho, a sombra de uma coluna, ou de uma vareta, encurtava com a aproximação do meio dia. Com o passar das horas os raios do sol deslizavam pela parede de um poço que nos outros dias não era iluminado. Então precisamente ao meio dia as colunas não projetavam sombra e o sol brilhava diretamente no fundo do poço. O sol estava exatamente a pino." Era uma observação banal, fatos cotidianos como raios de sol, sombras, um poço, colunas e varetas, coisas fáceis de serem ignoradas. No entanto, as coisas não pareceram tão óbvias assim a Eratóstenes, e ele como cientista decidiu verificar tais fatos e perguntar por que tais fenômenos ocorriam no posto de fronteira de Syene, e mais, se eles se repetiriam em Alexandria. Acontece que tais fatos realmente ocorriam no posto de fronteira de Syene, a 800 Km ao sul de Alexandria, ao passo que nesta última cidade nas mesmas condições uma vareta continuava a projetar sombra.

Se ambas reagissem da mesma forma a situações idênticas seria fácil de compreender. Ou seja, se ambas projetassem sombras ou se ambas não projetassem sombras. Isso faria sentido em uma Terra plana. No entanto as sombras se comportavam de forma diversa.

A única resposta plausível era a de que a superfície da Terra fosse…curva. E mais, quanto maior fosse a curvatura maior seria a diferença entre as sombras. O sol está tão distante da Terra que seus raios chegam até aqui paralelos, e assim conforme o ângulo das varetas em relação aos raios de sol a sombra muda.

Dada a diferença entre as sombras projetadas na vareta do posto de fronteira de Syene e da vareta de Alexandria a distância entre as duas cidades deveria ser de 7 graus angulares da superfície. Quer dizer que, se as varetas alcançassem o centro da Terra o ângulo de intersecção delas seria de 7 graus. Isto representa 1/50 da circunferência da Terra, 360 graus. Eratóstenes conhecia a distância entre Alexandria e o posto de fronteira de Syene, pagara um homem para contar em passos a distância. Assim, realizando uma conta elementar de multiplicação, 50 vezes 800 Km nós temos 40.000 Km. Logo a Terra deveria ter 40.000 Km de circunferência. A resposta estava correta.

Eratóstenes munido somente de varetas, passos, olhos e espírito científico concebeu uma resposta quase exata há 2300 anos.
 
Carl Sagan
Esta história foi contada pelo físico Carl Sagan no início dos anos oitenta na série de televisão "Cosmos". Sagan, falecido a poucos anos, foi um dos maiores divulgadores da ciência no século XX, sua concepção de ciência nos faz clara a inserção da história de Eratóstenes na série. Para ele, a ciência deveria se basear em alguns princípios como o gosto pela experiência, a curiosidade nata do ser humano, a relação direta do conhecimento com o cotidiano e com as experiência da espécie humana. Mais do que isso, a ciência deveria ser algo acessível a todos nos seus vários estágios: produção, divulgação e usufruto. A ciência é fruto da única matéria, conhecida até agora, de todo o cosmos que criou consciência: a espécie humana. 

Sendo assim, e antes de todo o restante, é obrigação e dever da ciência se debruçar sobre o homem e sua relação com seu meio, e mais adiante com o que ele chamou de "grande oceano cósmico". Isto sem jamais perder a perspectiva de que toda a espécie humana tem o direito de desfrutar dos progressos científicos, e que toda ciência deve ser voltada para o benefício do homem.

Uma ciência humana que respeite a dignidade de todo homem e que tenha a capacidade de se deslumbrar mais com um fenômeno natural ou com uma manifestação social do que com a mais avançada máquina engendrada pela tecnologia.

A atuação de Carl Sagan, astrofísico, consultor da NASA, especialista em exobiologia e professor da Universidade de Cornnel, sempre foi um exemplo do que ele próprio defendia, atuava e participava ativamente em todos os foros de discussão sobre o conhecimento científico, sua produção, finalidade e democratização. Defendia ferrenhamente o investimento no conhecimento e sua posterior distribuição, sem contar a luta contra a proliferação da ignorância, da arrogância e da intolerância, batalha difícil em seu país, os EUA.

À beira de uma falésia começava a série "Cosmos". Sagan falava de astrofísica em uma praia, em bosques ou em desertos. Esta opção, mais do que um simples efeito visual, deixava clara a opção do cientista Carl Sagan. Sempre foi uma opção humana e pela espécie humana.

Outra de suas histórias era a do "ano cósmico", na qual ele convidava o espectador a fazer uma pequena brincadeira. Dividindo toda a história do Cosmo, desde sua criação até o presente, em um ano de forma que se criasse um calendário toda trajetória da espécie humana ocuparia poucos minutos no final do último dia deste "ano cósmico". Era uma das suas artimanhas para demonstrar a fragilidade do homem.

Definir através de uma de suas frases, contida no livro "O Mundo Assombrado pelos Demônios: A ciência vista como uma vela no escuro.": "Não explicar a ciência me parece perverso. Quando alguém está apaixonado, quer contar a todo o mundo. Este livro é um testemunho pessoal de meu caso de amor com a ciência, que já dura toda uma vida."


Carl Sagan, O mundo
assombrado pelos
demônios

 

O Medo

A Antonio Candido
"Porque há para todos nós um problema sério...Este problema é do medo."

Antonio Candido
Plataforma de uma geração


Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.

E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
vadeamos.

Somos apenas uns homens
e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
doenças galopantes, fomes.

Refugiamo-nos no amor,
este célebre sentimento,
e o amor faltou: chovia,
ventava, fazia frio em São Paulo.

Fazia frio em São Paulo.......
Nevava.
O medo, com sua capa,
nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,
meu companheiro moreno.
De nós, de vós, de tudo.
Estou com medo da honra.

Assim nos criam burgueses.
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?

Vem, harmonia do medo,
vem, ó terror das estradas,
susto da noite, receio
de águas poluídas. Muletas

Do homem só. Ajudai-nos,
lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosa
se parte, se transe e cala-se.

Fazemos casas de medo,
duros tijolos de medo,
medrosos caules, repuxos,
ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,
com resplendores covardes,
atingiremos o cimo
de nossa cauta subida.

O medo, com sua física,
tanto produz: carcereiros,
edifícios, escritores,
este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor.
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.

Adeus: vamos para a frente,
recuando os olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes.....
Fiéis herdeiros do medo,

eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
dançando o baile do medo.
 

A idéia de divulgação científica de Sagan era bastante próxima da do historiador francês Marc Bloch, morto durante a Segunda Guerra Mundial, apesar de terem formações tão diversas. No seu livro "Introdução à História", trabalho considerado clássico, Bloch escrevia que a qualidade que mais admirava em um historiador era a de comunicar "aos doutos e aos escolares no mesmo tom".

"Portanto, não se iluda comigo, leitor. Além de antropólogo, sou homem de fé e de partido. Faço política e faço ciência movido por razões éticas e de um fundo patriotismo. Não procure aqui análises isentas. Este é um livro que quer ser participante, que aspira a influir sobre as pessoas, que aspira a ajudar o Brasil a encontrar-se a si mesmo."

Desta forma encerrava o prefácio de seu livro, "O Povo Brasileiro: O Sentido e a Formação do Brasil", o antropólogo, escritor e político Darcy Ribeiro.


Darcy Ribeiro, O povo
brasileiro
Darcy Ribeiro
Não vou discorrer aqui sobre a figura Darcy Ribeiro, seria redundante falar das virtudes e defeitos de Darcy, homem que viveu ao extremo cada experiência humana e acima de tudo soube amar: amou como poucos seu semelhante, seu país, seu povo, a ciência, suas lutas, o debate. Da mesma forma odiou de forma impar a ignorância, o preconceito, o subdesenvolvimento, a fome, a mesquinhez.

Darcy tinha algumas posições que fazia questão de marcar em todas as suas atividades. A da necessidade de engajamento da ciência, da responsabilidade social da ciência e do cientista, da possibilidade de uma ciência com estas características e compromissos sem ser manipulada e desonesta.
 
 
 
 
 
 
 
 


 

Terra e Democracia

Herbert de Souza

 
  Terra é chão, é esperança fecundada.
Terra é imensidão, passo, espaço do gesto.
Terra é o quarto, a sala e a cozinha.
Terra é a varanda, o quintal, o outro lado da rua.
Casa, barraco, espaço onde reuno meus braços, filhos, netos, colegas, amigos.
Lugar onde há abraço.
Mas terra é também cerca, arame, arena,, tiro dado à queima roupa.
Terra é fome, viagem, fuga, adeus.
Terra é separação.
Terra é a sua: onde não nasce o sol nem lua, onde no céu não brilham estrelas, onde há sempre muros de proibição.
Terra da colheita da vida.
Terra que ocupo para viver.
Que explode em sementes, frutos e mel.
Que me abraça na vida e me recebe na morte.
Terra-mulher.
Terra que semeia.
Terra que se abre.
Terra que me envolve.
Terra, morna manhã de orvalho.
Terra em que me distribuo.
Terra sem a qual não existo.
Só com ela sou eu, só com ela sou nós.
Terra sem escrituras, imposturas, códigos, leis nem metros quadrados.
Terra para todas as pessoas do mundo.
Terra com rios, mares, árvores, plantas, frutas, cheiros, pássaros, todas as flores e tons do mel.
Terra dos gases mortais, onde viver é um inferno.
Onde o tiro abate quem ri e proíbe a vida.
Terra e Democracia, de mãos dadas, derrubando as cercas, abrindo varandas, buscando a água, plantando o futuro.
Democracia unindo a humanidade, dividindo a terra em tantos quantos forem os braços.
Milhões de casas sem muros!
Milhões de famílias com terra!
Gente morando!
Gente repartindo!
Um tempo mais justo!
A confiança na utopia!
O resgate da dignidade!
Um sonho dentro da vida!
TERRA E DEMOCRACIA!
Herbert de Souza, Betinho
Herbert de Souza, Betinho, sociólogo, brasileiro, criador da "Ação da Cidadania" e do Ibase. Criticado pela sua atitude assistencialista, encarnada na campanha contra a fome, morreu em decorrência da AIDS contraída em uma transfusão de sangue, declarando e enfatizando a importância do despertar. O prato de comida ou a cesta básica terminavam ao final de um mês ou de uma refeição, a consciência não finda a última garfada. Atitude. Compromisso social. Fraternidade.

Palavras sucateadas no mundo contemporâneo: uns as refutam, renegam simplesmente pela falta de interesse nelas; outros, do lado diametralmente contrário, também as negam pois são "paliativas", "insuficientes", "vazias".......................

?

Despertar é o primeiro movimento. Betinho não era nem um pouco ingênuo, quem conseguia ver além da simples campanha contra a fome viu o que se objetivava. É difícil mobilizar as pessoas em torno de coisas abstratas como "consciência" e "cidadania". Intencionava-se através de reivindicações e atitudes, solidariamente orientadas, provocar o despertar destes fatores mais amplos e abstratos. O alimento era apenas e tão somente a ferramenta, não o fim. Muitos não souberam perceber, muitos entre os que estavam do mesmo lado.

Paulo Freire
Todos estes recortes tem como objetivo exemplificar e, através de um mosaico, demonstrar como a ciência pode e deve ser socialmente comprometida. Um físico, um historiador, um antropólogo, um educador, um sociólogo, separados por espaço e tempo, comungando, como diria Paulo Freire, na aventura da descoberta e no amor incondicional pela humanidade. Um poderia gostar da pintura de Miró, outro de Dalí, um poderia gostar de música performática, outro de música popular, um poderia gostar de mangas e outro ainda de uvas, um poderia gostar de assuntos miúdos e outro de se perder nos grandes, entretanto isso jamais impediu que comungassem, sem o saber, de algo tão mais amplo. Salvo um ou outro caso jamais sentaram na mesma mesa para articular suas ações, talvez nem fosse necessário.

Nossa sociedade criou demandas gigantescas, responsabilidades proporcionais ao avanço tecnológico, que só podem ser devidamente sanadas e suas potencialidades desenvolvidas, e frutos distribuídos, em liberdade, com acompanhamento crítico, com compromisso social, e com as resgatadas do limbo palavras fraternidade, solidariedade, atitude. A ciência pode ser desprovida de uma moral própria, a tecnologia que salva é a mesma que destrói. Entretanto, se a ciência é amoral, o cientista não é, ou não deveria ser. Munido do argumento da "amoralidade" da ciência o físico Edward Teller vendeu a idéia de construir a Bomba H. Não é preciso argumentar, a estupidez não se esconde, é atrevida.

Não há o compromisso de sermos todos professores, não há o compromisso de sermos todos cientistas, não há o compromisso de sermos todos historiadores, médicos, pesquisadores, museólogos ou seja lá qual for a profissão. No entanto, temos todos de ser socialmente comprometidos. Educadores, há que sermos educadores sobretudo, no sentido mais amplo que se possa imaginar, com a maior dedicação que se possa ter, com a maior paixão que se possa suportar, dedicação proporcional à humanidade e às suas demandas.

"Terra e Democracia", "caso de amor com a ciência", "fazer ciência movido por razões éticas".


Miró: Personagem atirando pedra em pássaro

"O que vou dizer
você nunca ouviu de mim
pois minha timidez
não me deixou falar por muito tempo.

..............................................................

O que vou dizer
você nunca ouviu de mim
pois quieto que sou
só sabia sangrar, sangrar, cantando.

............................................................

O que vou dizer
você nunca ouviu de mim
pois minha solidão
foi não falar, mostrar vivendo.

.................................................."

Fernando Brant e Milton Nascimento

"E fiz do som de sua risada um Hino."

Oswaldo Montenegro