TERRA BRASILIS

Marco Antunes de Lima
3º Ano - História/USP
marco@klepsidra.net
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"Águas são muitas: infindas". Essas poucos palavras foram ditas, ou melhor, escritas por Pero Vaz de Caminha à D. Manuel I, rei de Portugal no dia primeiro de Maio de 1500. Voltando ao nosso tempo, mais especificamente em primeiro de Junho de 2001, 501 anos depois, nós brasileiros descobrimos que as águas não são tantas assim, pelo menos segundo o nosso presidente da República. São Pedro não está sendo amigo mais com o país e resolveu tirar esse privilégio de ter águas infindas, pelo menos é ele que está sendo culpado pelo menor volume de águas no Brasil. Como sabemos, a nossa maior fonte produtora de energia é a água, e como estamos com pouca água teremos menos energia, então inventaram o racionamento, nos obrigando a economizar energia se não ficaremos sem nenhuma. Isso tudo porque São Pedro não está colaborando.
 
Imagem do racionamento: trabalhadores sem nenhuma iluminação ambiente
Se você acredita que falta água nesse país, por favor me desculpem, mas você caiu no conto de nossos governantes; que nem mesmo eles acreditam nessa história, principalmente o presidente, que é ateu (segundo suas próprias palavras) e nunca poderia acreditar em São Pedro, nem em Deus, então nunca poderia dizer que Ele não nos abandonará. O Brasil realmente vive uma crise na produção de energia, não estamos sendo capazes de produzir o quanto consumimos, mas falar que é por falta de água, isso é que é hipocrisia. Estamos em uma crise de energia porque não houveram investimentos na produção de energia nos últimos anos; sendo que o governo, que tem a obrigação de produzir energia para a nação não se preocupou em produzir a energia na mesma proporção ou até maior que a demanda. 
Essa falta de investimentos em energia não vem da era de Fernando Henrique, ela já vem de muito tempo atrás, desde os anos 70, e os nossos queridos governantes (muitos dos anos 70 continuam até hoje, pelo menos aqueles que não morreram) não calcularam (ou talvez não se importaram em calcular) o aumento da demanda de energia com o passar dos anos. E ainda há o pior, o governo atual já sabia a alguns anos atrás que haveria essa crise, mas agora ficam dizendo que de nada sabiam. Nem para assumir os erros servem. E nós é que pagaremos a conta, pois somos obrigados a racionar energia, e se não conseguirmos irão nos multar e depois irão cortar a nossa energia, ou seja, como diz José Simão, o Brasil é o único país do mundo que se corta energia por excesso de pagamento.

Como eles (nossos "representantes") podiam se preocupar em fazer investimentos na construções de novas usinas e de novas redes elétricas se eles estavam mais preocupados em privatizar as companhias de energia para podermos, segundo eles, pagar as nossas dívidas. Só me pergunto para onde vai a arrecadação dessas multas para quem não economizar os tais 20%, para os bolsos das empresas privadas de energia ou para os bolsos dos nossos governantes? Porque para resolver o problema da crise energética isso não vai mesmo. Quem sabe esse dinheiro aparece em alguma ilha do Caribe daqui a alguns anos. Com o consumo de energia caindo mais ou menos os 20% esperados pelo governo qual seria a última para que as empresas de energia não perdessem tanto dinheiro, já que 20% a menos de energia eqüivale à 20% a menos de lucros para as concessionárias, senão aumentar o valor da energia em 16%, e com isso fazendo com que as empresas não percam tanto capital. Eles erram e nós pagamos. Mas não fomos nós que erramos? Eles foram eleitos pela maioria, não foram?

Não podemos deixar de comentar sobre o nosso congresso e os nossos políticos. Como sabemos, muitos deles são os mesmos de 30 à 40 anos atrás, ou seja, muitos deles participaram, como políticos importantes, de um dos períodos mais difíceis da história do Brasil: a ditadura militar. O incrível é que figuras carimbadas da ditadura militar, que apoiavam os militares, como Antônio Carlos Magalhães, Delfim Neto, Paulo Maluf, entre muitos outros, continuam ainda dentro do círculo político desse país. Que mudanças houveram então, após o Brasil se tornar uma "democracia"?
 

Esses políticos se envolvem em cada vez mais escândalos de corrupção mas continuam exercendo cargos políticos, nunca sendo cassados, apenas, as vezes sendo processados por alguma coisa, mas sempre recorrendo nas instâncias da justiça (a propaganda de um é que ele nunca foi condenado definitivamente), ou renunciando aos seus cargos, pois seus "colegas" não cassaram seus direitos políticos mesmo após terem cometidos atos anti-éticos. E o pior é que podem dizer após renunciar que não estão preocupados, pois sabem que na próxima eleição os seus eleitores o elegerão para o cargo que ele decidir, e pior ainda é que, infelizmente serão reelegidos, pois detém grande poder em seu Estado. 

ACM no dia de sua renuncia: ele garante que voltará

Viva o coronelismo brasileiro que não morre nunca. Viva também o populismo, pois esse é que nunca morre mesmo, existe desde sempre (vide os romanos e seus Senadores populistas), e perdura até hoje com políticos que se apoiam no povo, dizendo que governam para o povo e estão até o pescoço afundados em processos na justiça por roubo do dinheiro público.  Claro que falamos nesses dois casos de Antônio Carlos Magalhães (vulgo Toninho Malvadeza) e Paulo Maluf, e esperamos que quando esses homens morrerem, pois um dia irão, não se faça (a imprensa faça) grandes homenagens à esses falsos grandes homens, como fizeram com um ai outro dia.
 

E o Real afundou de vez, depois de mais ou menos 7 anos desde o início de mais um plano econômico a nossa moeda se desvalorizou em comparação ao "Deus" dólar e o Brasil entra novamente em uma crise econômica, e não digo que entra em uma crise social, pois esta existiu escondida durante todos esses 7 anos e anteriores. O Banco Central brasileiro não consegue mais fazer o que fez durante os últimos 7 anos, jogar o "Deus" dólar no mercado para que o preço desse continuasse baixo, agora isso não é mais possível, pois durante esses anos foram gastos as nossas reservas da moeda norete-americana para manter o Real "forte". 

Vivíamos em um milagre econômico, como vivíamos no período da Ditadura Militar, onde o Brasil teve um grande crescimento econômico, e um grande decréscimo social. O milagre econômico dos militares acabou indo por água à baixo, assim como os dos atuais, que se dizem "sociais-democratas".
Polícia Militar paulista reprime manifestantes na Avenida Paulista
Já que falamos da Ditadura militar não podemos nos esquecer da repressão política que eles (muitos continuam) exerciam sobre aqueles que não concordavam, e até mesmo a repressão psicológica com a população em geral. Quem pensa que agora estamos em uma democracia e não existe mais a repressão, infelizmente, está redondamente enganado. As manifestações reprimidas de forma violenta pela polícia militar em São Paulo, na Bahia e agora, recentemente, em Brasília nos mostram que a nossa tão querida democracia, a que todos esses políticos pregam que lutaram por ela, não passa de uma falsidade.
Que democracia é esta onde uma manifestação contra as posições internacionais do governo, contra um senador, e contra a corrupção são reprimidas pela polícia com bombas de gás e balas de borracha? E isso acontece não só no Brasil, mas sim no mundo inteiro, talvez porque nunca existiu a democracia moderna, desde o seu início na Revolução Francesa. Quem não interessa ser ouvido é reprimido. Viva a nossa democracia brasileira.

Esses casos citados são poucos dos absurdos que encontramos em nosso país, e talvez eu não possa entender muito de economia e política para sair falando dessas coisas, mas sei que algumas coisas precisam ser ditas por mim, apesar de já terem sido ditas por outros. Se todos fizessem o mesmo nós poderíamos responder a pergunta: Que país é este?